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sexta-feira, 3 de julho de 2009

X-Men: Esboços de Simone Bianchi.

Em breve, daremos início às análises da segunda fase do título Astonishing X-Men, por Warren Ellis e Simone Bianchi.

Foi lançado nos Estados Unidos um pequeno livro de esboços de Bianchi com o design dos novos uniformes do grupo, que os leitores puderam ver a partir de Uncanny X-Men 500 e Astonishing X-Men 25.

Pessoalmente, odiei a grande maioria da produção de Bianchi, com exceção ao uniforme do Fera. Os uniformes redefinidos criados por John Cassaday, quando da criação do título Astonishing X-Men em 2004, na minha opinião, são muito bons e poderiam ter permanecido por mais tempo.

Lembro-me que nos anos 90, quando a Marvel tinha uma empresa subsidiária, a Toy Biz, era muito frequente os seus personagens mudarem de uniforme à cada seis meses, já que assim era mais um produto que poderia ser comercializado no mercado de figuras de ação.

Felizmente, isso parece ter passado, mas medidas como essas, de alterar bons uniformes, infelizmente ainda ocorrem.


Penso que esses novos uniformes criados por Simone Bianchi são versões mal feitas dos antigos. O mais horroroso de todos os uniformes, sem dúvida nenhuma, é o da Tempestade, que foi baseado no uniforme da heroína dos anos 90. De tão feio o resultado obtido, esse novo design foi ignorado em todas as outras revistas em que ela aparece.

A única curiosidade foi a imposição editorial de que deveria haver um “X” no lado esquerdo do peito dos uniformes dos homens e um “X” no centro dos uniformes das mulheres.



Na minha opinião, os uniformes poderiam ter continuado da forma que estavam.

Abraço!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Surpreendentes X-Men: Perda.



“Perda”
(Giant Size Astonishing X-Men 01, maio de 2008)

Roteiro: Joss Whedon
Desenhos: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Marvel Comics.

E aqui se encerra com chave de ouro a fase de Joss Whedon e John Cassaday em Astonishing X-Men. Nessa última história, os principais heróis da Marvel são reunidos para, metaforicamente, celebrar o encerramento dessa equipe criativa que por 4 anos (deveria ser 2 se não fossem os imensos atrasos) nos brindou com excelentes tramas e caracterizações.

Os heróis Marvel são reunidos no Zênite (a base da ESPADA) pelo Sentinela vivo e lá procuram elaborar um plano para salvar o planeta da bala disparada no Grimamundo, bem como a vida de Kitty Pride que se encontra dentro dela. Só que a bala está protegida magicamente, então todos são ludibriados de modo a pensar que cada um deles salvou o mundo. E assim, sucessivamente, a começar pelo Homem-Aranha, eles vão acordando para a realidade e se vêem de mãos atadas.

Enquanto isso, no Grimamundo, Colossus se recusa a destruir o planeta baseado na história de massacre de seu próprio país de origem (antiga União Soviética). Aghanne procura convencê-lo de que a morte é a melhor opção para seu povo opressor e intolerante, mas ele se recusa a cumprir a “profecia”. Os dois travam uma batalha, e para mim, esta é a parte em que Colossus finalmente mostra a que veio. Ord interfere para que se mundo não seja destruído e ele e Aghanne morrem devido às queimaduras da fonte de energia.



Também é revelada parte da origem da Agente Brand (meio alienígena) e é desenvolvida um pouco a tensão sexual existente entre ela e o Fera.

Os X-Men tentam persuadir Krunn a ajudá-los na salvação de seu planeta mas a solução acaba sendo mesmo o já notório sacrifício de Kitty Pride. Em uma conversa comovente entre ela e Emma, os dois lados contrapostos da equipe desde a sua estréia, fica evidenciado que Emma, no fundo, sempre sentiu um grande respeito por ela. Aliás, desnecessário dizer que os diálogos de Whedon são sempre precisos. Uma conclusão comovente, como poucas que se vê por aí.



John Cassaday desenha como nunca. As seqüências com Colossus e Aghanne são muito bem feitas (e as cores em volta dos dois ajudam muito a dar um ar de “batalha final”). Já a seqüência da bala atravessando o planeta ficará na história não só da equipe como um dos grandes momentos dos quadrinhos. Como disse, nasceu um clássico. Os únicos pontos negativos que destaco foram as expressões faciais de Reed Richards e dos desenhos do Coisa.

E não canso de evidenciar. Os X-Men são retratados como “X-Men” sem referências às dezenas de outros integrantes. Lembra muito o início dos Novos X-Men (1975), em que você sabia exatamente qual era a formação da equipe. Hoje, existem no mínimo três! Sei que é difícil a Marvel ceder apenas um título ao grupo principal, principalmente pelo fato das vendas não serem mais como antes. Assim, três títulos podem compensar o que antes um resultava sozinho. Outra alternativa que, na minha opinião, seria melhor era o título Uncanny X-Men se tornar quinzenal.

O importante, no entanto, é ter uma equipe de peso em que se tenha espaço para trabalhar os personagens como ocorreu neste título.
Nota-se que, ao final, fica em aberto o paradeiro de Cassandra Nova, a ajuda da ESPADA a Lockheed e a entrega de Charles Xavier à Perigo, conforme prometido por Emma Frost.

Sem querer parecer pessimista, é muito difícil alguma equipe criativa, logo em seguida, ou mesmo algum tempo razoável depois, igualar ou mesmo superar essa. Acredito que tudo o que tornou os X-Men ícones e campeões de vendas, gradativamente, a partir de Giant Size X-Men 01 em 1975 esteve nessas 25 edições de Surpreendentes X-Men. Infelizmente, não é o que se vê nos demais X-Títulos. Repito, infelizmente. Espero, sinceramente, que Whedon faça escola.

Abraço a todos!

Surpreendentes X-Men 19-24: Incontrolável.

“Incontrolável”
(Astonishing X-Men 19-24, a partir de setembro de 2007)

Roteiro: Joss Whedon
Desenhos: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Marvel Comics.

No último arco de Joss Whedon e John Cassaday, as pontas soltas são amarradas com precisão e testemunhamos um surpreendente sucesso editorial da Marvel. Por 24 edições (mais um especial “gigante”, que será analisado logo em seguida), os X-Men são levados a outro patamar e essa fase entra definitivamente para a categoria dos clássicos da equipe.

O arco de inicia com os X-Men, Ord e Perigo na nave da Agente Brand, que se direciona para o Grimamundo. Essa foi a estratégia usada por ela (levar o “Destruidor de Mundos” ao planeta alienígena) para conter uma imediata destruição da Terra. Brand revela também qual a razão de todos os X-Men terem sido teletransportados, dizendo que precisa de super-heróis. A agente explica aos X-Men que o Grimamundo possui um míssil capaz de obliterar a Terra e que precisa dos X-Men para impedir que isso aconteça, bem como descobrir a verdade sobre a profecia.

Assim que a nave é avistada pela tropa do líder do Grimamundo, Lorde Krunn, os X-Men são separados, mas todos já haviam planejado um ponto de encontro: uma escavação chamada “Palácio do Cadáver”, que possui uma inscrição “antiga” com a imagem de Colossus aparentemente destruindo um Sol.

Kitty Pride e Colossus conhecem Aghanne, uma ex-guerreira que cuida de um hospital (algo proibido nesse mundo) que vê a profecia sob outro ponto de vista (“mutação”, diz ela). Ela diz que a profecia pode significar um mundo melhor e não a sua destruição.

Em outra parte, a Agente Brand e o Fera trocam farpas quando vão investigar o Retaliador, o aparente míssil apontado para a Terra. Interessante como é mostrado a “antipatia” (tensão sexual) entre ambos. Mais uma amostra de belos diálogos criados por Whedon. Fera descobre então que a profecia não é tão antiga assim por conta da forma em que as inscrições foram produzidas.

Ciclope e Emma saem à procura das forças da ESPADA. De repente, são abatidos por Perigo, mas Emma revela todo o segredo por trás do fracasso desse ser artificial: Perigo não conseguiu ainda superar a programação que a proíbe de matar os mutantes. Por isso ela apenas derrotou os X-Men e foi em direção a Charles. Assim, Emma propõe entregar Xavier à Perigo se ela os ajudar. Ela aceita a proposta. Aliás, essa é uma cena muito bem elaborada.

Novamente reunidos, Kitty descobre sobre Lockheed ser o agente infiltrado. A Agente Brand é bastante rude com ela quando Kitty trata o dragão como um bicho de estimação, o que faz Emma intervir em seu auxílio.

Com um plano secreto, os X-Men armam um jeito de adrentrar nas “impenetráveis” muralhas da Prisão de Lorde Krunn sacrificando, literalmente, Ciclope. Logo depois de ser ressuscitado por Krunn para que ele revele sobre o que seria o “Leviatã” (um termo que fazia parte de todo o plano), ocorre uma das cenas mais memoráveis que os X-Men já tiveram: Ciclope revela que não havia perdido seus poderes, atirando em Krunn e arrebentando os muros “impenetráveis” do Palácio. Tudo isso estupendamente desenhado por John Cassaday.



E assim os X-Men, contando com a ajuda dos agentes da ESPADA vão até o centro de poder do planeta, onde, supostamente, aconteceria a profecia. Lá eles descobrem que Colossus é o único que pode entrar na fonte mas, antes que faça alguma coisa, ele descobre quem na verdade estava por trás de toda essa história de profecia e fim do mundo: Aghanne, a curandeira rebelde.

Enquanto isso, na base lunar, Kitty penetra no suposto míssil (o Retaliador) a fim de desativá-lo. Mas descobre que ele não tem circuitos internos e que é revestido apenas de um metal do planeta alienígena que a deixa com fadigada quando alcança a ponta oca do Retaliador. Porém, para a surpresa de todos, o lançamento é efetuado e Fera descobre que na verdade o “míssil” é uma bala.

A série Surpreendentes X-Men se encerra em uma edição especial “gigante” que, na minha opinião, era dispensável. Achava melhor que a edição 25 fosse uma edição com mais páginas, para que uma série com início meio e fim pudesse se encerrar em uma seqüência lógica nas numerações.

Engraçado como esse arco possui um ar de encerramento em quase todas as suas passagens. Por um lado você aprecia tudo o que está sendo apresentado. Por outro, fica triste pelo fato de estar acabando uma das melhores fases da equipe.

Abraço a todos!

Surpreendentes X-Men 13-18: Destroçados.

“Destroçados”
(Astonishing X-Men 13-18, a partir de abril de 2006)

Roteiro: Joss Whedon
Desenhos: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Marvel Comics.

Destroçados é o arco mais intimista de Surpreendentes X-Men. Volto a dizer que quando os autores usam de personagens fixos para trabalhar, e assim é muito mais fácil contar uma história coesa e desenvolver os personagens de forma adequada. E é exatamente isso que vemos aqui.

Em um aparente retorno e com uma nova formação, o Clube do Inferno está de volta disposto a acabar com os X-Men e com um plano secreto em mente (que será revelado ao final do arco). Composto agora por Sebastian Shaw (o Rei Negro), a x-man Emma Frost, a misteriosa Perfeição, Cassandra Nova e Míssil Adolescente Megassônico (sim, esse nome mesmo, que inclusive é ridicularizado por Kitty Pride numa batalha), o Clube do Inferno consegue concretizar o pior pesadelo de todos os X-Men.

O primeiro deles, e melhor, é com relação ao Ciclope. Emma faz uma regressão com Scott e nos é revelado um segredo que ele guardou desde que adquiriu seus poderes: ele decidiu não ter o controle sobre seus poderes por conta de suas próprias inseguranças. Isso o deixa totalmente indefeso e o leva ao coma.

Já Míssil Adolescente Megassônico faz com que Kitty se desmaterialize até afundar no subterrâneo do planeta. Wolverine se torna uma criança assustada, Fera perde o intelecto de vez e vira um ser irracional, e Colossus confrona Shaw com toda sua fúria e recebe tudo o que despendeu de volta (esse é poder de Shaw) e é nocauteado.

Há um mistério por trás do retorno desse Clube do Inferno que é revelado ao final. Também é amarrado o fato do por que ter sido a própria Emma quem decidiu que Kitty Pride deveria voltar ao grupo, mesmo sabendo que esta o odeia. Aliás, o confronto das duas, em uma cena que se inicia com a quebra de um espelho é espetacular e muito criativo. Dispensável dizer que contém também ótimos diálogos entre as duas.

Enquanto isso, continua os preparativos para o último arco da série sob as mãos de Whedon e Cassaday. A Agente Brand vai até o Zênite, o quartel-general da ESPADA e descobre quem é o X-Man responsável pela dizimação do Grimamundo: Colossus. E ao saber que aquele mundo perdeu contato com a Terra, pressupõe que a guerra poderá ter início a qualquer momento.

Assim, decide agir. Aqui é revelado quem é o agente infiltrado na mansão: Lockheed. Na prisão do Zênite, Perigo contata Ord e propõe a ele um acordo para que ambos derrotem os X-Men. Assim, eles planejam a fuga de Ord e, com sucesso, vão até a Mansão X atrás de Colossus.

Assim que Perfeição se revela como a Rainha Branca, algumas coisas inicialmente inseridas no arco não começam a fazer sentido. Mas só de modo aparente. Assim que Ciclope ressurge atirando em todos os integrantes do Clube do Inferno, descobrimos que nada daquilo era real.

Tudo não passou de um plano de Cassandra Nova que implantou uma espécie de comando na mente de Emma Frost para que, no momento oportuno, esta usasse os X-Men para libertá-la. Há, inclusive, um retcon que se passa momentos antes do arco E de Extinção (como já foi dito, o primeiro de Grant Morrison nos mutantes).

Ver Ciclope, ao final, vestindo o seu traje de New X-Men também é uma bela surpresa. Particularmente, prefiro os colantes coloridos, mas no caso do Ciclope o visual ficou muito bom.

Os outros X-Men voltam ao normal (Wolverine encontra uma cerveja e Fera vê um novelo de lã, parte de um plano de “resgate” elaborado por ele e o Professor X). Enquanto isso, Kitty é telepaticamente manipulada e usa seus poderes para liberar Esponja, a prisão orgânica de Cassandra Nova. Kitty pensava que estava libertando seu suposto filho com Colossus, mas assim que cumpre seu papel, ela volta à realidade.

E assim a questão da traição ou confiança em torno de Emma Frost é colocada em evidência ao final. Sua culpa por ter sido a única sobrevivente do massacre de Genosha é desenvolvida por Scott e assim entendemos todo o seu drama (ao mesmo tempo em que nos deparamos de como é bom personagens ricos em personalidade e distintos entre si). Se ela auxilia na libertação de Cassandra ou se consolida sua condição de X-Man é o grande mote para o desfecho do arco.

Para concluir, assim que Ord e Perigo chegam até os X-Men, a Agente Brand teletransporta todos eles para sua nave e os leva em direção ao Grimamundo. O paradeiro de Cassandra é um mistério que fica em aberto com essa interrupção abrupta.

Pessoalmente, acho a segunda parte a melhor de todas. As questões existenciais de Ciclope finalmente revelam o quão interessante sua personalidade se mostra e o quão incisiva Emma é ao praticamente humilhá-lo quanto às suas escolhas já tomadas. Um espetáculo de caracterização feito por parte de Joss Whedon.

Em agosto de 2007, fiz uma resenha sobre a edição 68 da revista X-Men Extra (Panini) para o Fórum de Quadrinhos MBB, que é justamente a que mostra a segunda (e melhor) parte do arco. Reproduzo o que escrevi a seguir, com algumas adaptações:


[Avaliação] Surpreendentes X-Men #68 (ou XMEx).


Sem sombra de dúvida, Astonishing X-Men é um dos melhores títulos publicados atualmente. Toda a essência do universo dos X-Men consolidada ao longo dos anos e que conquistou uma legião de fãs encontra-se neste título. Magistralmente escrito por Joss Whedon, que atrasa um bocado para entregar os roteiros, é interessante notar que a cada edição lançada o leitor consegue perdoá-lo dada a qualidade do texto, com exceção de uma ou outra voz isolada e sem ressonância.

Depois do segundo arco, "Perigoso”, que foi aquém do primeiro, o título parece voltar a se destacar dada a nova trama que se desenvolve desde a edição passada. O Clube do Inferno, uma das organizações de vilões mais interessantes dos quadrinhos, está de volta e agora é composto por Sebastian Shaw, Cassandra Nova, Míssil Adolescente Megassônico e Emma Frost. A participação desta última foi o grande chamariz para o início da nova “temporada” da revista e nesta edição vemos como foi, em termos, o planejamento da dizimação da população de Genosha, mostrada no arco E de Extinção, há algum tempo atrás.

Após aparecer travestida de Fênix, Emma Frost mostra a Scott (Ciclope) ao longo da edição os entraves psicológicos que ele teve que lidar desde o dia do acidente de avião que culminou na sua orfandade. É interessante notar o paralelo que o Whedon desenvolve ao mostrar as inseguranças do personagem com relação às pessoas à sua volta, ao seu modo amar, com os poderes contidos pelo seu visor de quartzo rubi. À primeira vista, parece pura maldade da ex-Rainha Branca ao ficar brincando com os sentimentos do Ciclope, mas quanto mais a história se desenvolve, vemos que, por mais que tudo indica que uma trama maior está por trás disso tudo, a intenção de Emma não é das piores.

E nisso, devemos parabenizar Whedon pelo espetáculo de caracterização deste casal de personagens. Existem várias passagens dignas de nota em uma história de vinte e duas páginas, e pouquíssimas pessoas conseguem escrever tanta coisa boa em um espaço tão curto.

O ponto alto, na minha opinião, ocorre quando a Emma compara o Ciclope com os outros líderes do universo Marvel. Inicialmente, destaca todas as qualidades dos demais integrantes dos X-Men, mostrando algo de especial em cada um deles, à exceção do pobre Scott e conclui de forma massacrante:


“Você já viu outros lídres, Scott. Eles se destacam. Não têm como evitar. Na única vez em que você precisou defender seu título, o perdeu para Tempestade. Potencialmente, os X-Men são a equipe mais poderosa do planeta... e Xavier lhe entregou o comando. Por pena. Porque acreditava que você seria um fiasco se não tivesse um pouco de motivação.”

Para mim, a melhor passagem, de longe. A lembrança da disputa do título com a Tempestade, ocorrida há um bom tempo atrás, também é um bom alento para quem acompanha os personagens e vê sua história ser respeitada no meio de tanta confusão que se seguiu ao longo dos anos, notadamente nos anos 90. Inclusive, muito boa essa história lembrada, que foi desenhada por Rick Leonardi e escrita por Chris Claremont (claro que tinha que ser dele!). Salvo engano, foi publicada aqui em X-Men 25 da Editora Abril. Quem achar num sebo qualquer, vale muito a pena a leitura! Abaixo, a homenagem do Cassaday.



Não poderia terminar de falar sobre a história sem destacar a hilária cena da Kitty, ao usar seus poderes na hora mais inapropriada possível. Quem não for comprar a revista, dá uma folheada que é muito boa a cena.

Minha única crítica é a falta de desenvolvimento do Colossus. As vozes que o defendem dizem que ele é “quietão” assim mesmo, mas penso que não obstante tenha sido uma boa hora para trazê-lo de volta, o personagem simplesmente voltou e o máximo que faz é dar uns beijinhos na Kitty e soltar uma frase ou outra, de forma lacônica, de vez em quando.

Nos desenhos, John Cassady mantém o alto padrão das edições anteriores e faz belas seqüências. Algumas expressões da face da “Jean” ficaram meio esquisitas, mas a Emma que ele desenha compensa qualquer coisa. Destaque também para o Fera que é sempre muito bem retratado tanto nas falas como nos desenhos.

Pra concluir, termino dizendo que essa história não deixa de ser uma espécie de redenção para aqueles que não viam nenhum significado no modo de ser do Ciclope. Uma coisa é não concordarmos com as atitudes dele, outra é maldizê-lo pelo simples fato de ele não posar de “fodão”. Uma bela distinção de personalidades. E é exatamente essa a beleza das equipes de super-heróis: a heterogeneidade dos seus integrantes.

Abraço a todos!

Supreendentes X-Men 07-12: Perigoso.

“Perigoso”
(Astonishing X-Men 07-12, a partir de janeiro de 2005)

Roteiro: Joss Whedon
Desenhos: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Marvel Comics.

Vimos que o primeiro arco de Surpreendentes X-Men apresentou alguns personagens que seriam importantes para os próximos. Da mesma forma, foi mostrada qual seria a formação da equipe de personagens que Whedon trabalharia, o que se mostrou uma decisão muito acertada de não encher o título com dezenas de mutantes. Com uma equipe fixa de meia dúzia de personagens, há espaço para trabalhar a personalidade de cada um deles de maneira satisfatória. E é exatamente isso que acontece nesse arco.

“Perigoso” trata da evolução e origem da Sala de Perigo, o ambiente virtual no qual os X-Men treinam suas habilidades. Na sua origem, era um emaranhado de ferramentas mecânicas ou buracos para Jean Grey brincar de tricô (leia as resenhas de Os X-Men para saber mais).

Depois que foi impregnada de tecnologia Shiar, a Sala de Perigo se tornou um ambiente de realidade virtual. Assim, mundos e situações poderiam ser reproduzidos de forma “real”, com um único e principal detalhe: a sala não poderia matar. Havia um empecilho, um impedimento para que ela não chegasse a tanto. Uma trava, dispositivo de segurança criado por Charles Xavier que a impedia de cumprir exatamente aquilo que ela foi programada: matar os mutantes.

Assim, a partir do momento em que ela “evolui”, ao deixar que um dos alunos (Asa) curados no primeiro arco praticamente se suicide, a inteligência artificial se diz livre do bloqueio. Ao mesmo tempo, planeja que os X-Men a libertem do espaço físico que a prende ao reativar um antigo Sentinela que chama a atenção dos X-Men, enquanto aprisiona todos os alunos.

Assim que o núcleo de comando é destruído por Wolverine (tentando retirar os alunos da sala), ela é libertada e se molda em um corpo físico robótico.

Depois de derrotar todos os X-Men em uma luta corpo a corpo, ela vai atrás de seu criador, Charles Xavier. Em Genosha, inicia-se outra luta impressionante entre os dois, recheada de diálogos e situações inovadoras. Xavier engana Perigo com “jogos mentais” e assim que ela acha que está pronta para dar o “bote”, ele já tinha agido anteriormente decepando-a.

Em cenas paralelas, a Agente Brand, da ESPADA, continua com sua empreitada em tentar achar uma solução pacífica para o provável conflito terrestre com o Grimamundo (o de que um X-Man destruiria aquele planeta). Ela cita a presença de um infiltrado na Mansão X e diz as seguintes palavras proféticas: “Há uma bala apontada pra cabeça deste planeta. Todos vocês sabem do que estou falando”. Isso que é planejamento editorial impecável! Em breve, saberemos as razões.

Como sua cartada final, Perigo traz de volta o robô sentinela responsável pelo massacre de milhões de mutantes visto em E de Extinção (primeiro arco de Grant Morrison em New X-Men). E esse é o confronto final entre Perigo e os X-Men (que vão à Genosha com o auxílio de Reed Richards, já que o Jato X havia sido destruído por ela). Digno de nota é o caso ser resolvido com o intelecto de Kitty Pride, fato esse reconhecido pelo Fera logo depois de agir apenas com seu instinto no seu confronto com Perigo.

No final, os X-Men têm uma dura discussão com o Professor X a respeito da sua ética ao prender uma forma de vida (mesmo que artificial) por tantos anos. O professor tenta mostrar suas razões para a defesa de sua causa, mas elas são desacolhidas pelos seus alunos. Uma discussão realmente interessante.

O arco Perigoso é o mais “fraco” (termo impreciso para esta revista) de Surpreendentes X-Men nas mãos de seus criadores originais (não levo em conta a recente e nova fase de Warren Ellis, ainda em andamento). Mas, mesmo assim, é uma excelente história que supera e muito as dezenas de títulos regulares que se encontram por aí (os famosos “feijão com arroz”).

Por fim, mais evidências são mostradas no sentido de Emma Frost estar ocultando suas verdadeiras intenções para com os X-Men, que será a trama central do próximo arco de histórias da revista.

Abraço a todos!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Surpreendentes X-Men 01-06: Superdotados.

"Superdotados"
(Astonishing X-Men 01-06, a partir de maio de 2004)

Roteiro: Joss Whedon
Desenhos: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Marvel Comics.

Em maio de 2004, depois de muita especulação sobre quem seria o sucessor de Grant Morrison à frente do título principal dos X-Men (New X-Men, na época), é lançada a primeira edição da revista Astonishing X-Men (no Brasil, Surpreendentes X-Men). Até aquele momento, os X-Men tinham se distanciado um pouco do gênero super-heróis, pois Grant Morrison os via como seres que deviam se preparar e se preocupar na sucessão dos humanos desprovidos do gene mutante. Dessa forma, os uniformes coloridos (colantes) tinham sido abandonados e o couro preto impregnou no visual da maioria dos integrantes da equipe.

Porém, como num ciclo que se renova de tempos em tempos, houve a imposição editorial de se retornar com os colantes e de se iniciar uma nova fase para os X-Men. Grant Morrison voltaria para a DC Comics, sua editora preferida, e um novo nome de peso haveria de o substituir. Foram meses de especulação até ser confirmado que Joss Whedon, criador da popular série Buffy - A Caça Vampiros, escreveria uma nova série dos X-Men. Juntamente com ele, colaboraria na arte John Cassaday, conhecido pelas séries Planetary (Wildstorm) e Capitão América (Marvel).

O evento que marcou o lançamento do título e desta nova fase foi chamado de X-Men Reload. Em nenhum local das revistas esse termo foi usado. Tratava-se, apenas, de uma campanha promocional para causar algum efeito no meio quadrinístico. Assim, enquanto Whedon e Cassaday cuidavam de Astonishing, o veterano Chris Claremont e seu antigo parceiro Alan Davis ficariam a cargo de Uncanny X-Men (o título clássico), e Chuck Austen e Salvador Larroca estariam a frente de X-Men. Ou seja, houve um aumento da quantidade de títulos "oficiais" dos X-Men, o que me causou um certo incômodo na época do anúncio.

Porém, com o passar do tempo, o lançamento de Astonishing X-Men foi se tornando cada vez mais esporádico, dado os outros compromissos de Joss Whedon no cinema. Assim, a revista, não obstante ostentar a maior qualidade em termos de roteiro e arte com relação aos demais, era a que mais sofria com atrasos e longa espera nos leitores pelos próximos capítulos.

A primeira parte de Superdotados mostra o cenário sendo montado por Whedon. É uma típica história de introdução do universo e personagens pelos quais Whedon vai trabalhar pelos próximos 24 números. Engraçado que, terminada a série há pouco tempo (maio de 2008), ao reler essas primeiras edições, vê-se que tudo foi planejado desde o início.

Vamos à história. A Dra. Kavita Rao, do Laboratório Benetech, anuncia a "cura" para o gene mutante. Como amostra, ela revela à imprensa o caso de uma garota que, com o poder de tornar real seus pesadelos, tirou a vida de seus pais e de um policial enquanto estava em transe. Assim, ao ser tratada como doença, a questão mutante desperta o interesse de muitos na busca dessa cura (inclusive do X-Man Fera).

No Instituto Xavier, Kitty Pride volta à equipe e seu retorno é pura nostalgia. Deveras, as lembranças da personagem remetem aos melhores momentos que os X-Men já tiveram, e é evidente de qual fonte Joss Whedon foi beber para criar suas histórias. Os X-Men decidem voltar aos colantes e agir como super-heróis (e não somente como defensores de mutantes iguais a eles).

Se tem uma coisa que pode ser enfatizada na escrita de Joss Whedon são os diálogos ácidos e precisos que ele imprime à cada personagem. A Emma Frost dele é um show de sarcasmo e ironia. Merecem destaque também o Fera, a já citada Kitty e Wolverine (este lembra um pouco a truculência de outrora). Há um mistério deixado pelo autor no sentido de Emma estar ou não manipulando Scott. A capa da segunda edição denota bem isso.

O arco também traz o retorno do personagem Colossus, muito querido pelos fãs. Morto gratuitamente na história que traz a cura do vírus legado há alguns anos atrás, o personagem ficou sem perspectiva de retorno devido à uma questão editorial de Joe Quesada que proibira ressurreições em sua gestão (questão hoje superada).

Tiranto o fato de que as ressurreições são bastante recorrentes no Universo Marvel, de modo a tornar as mortes cada vez menos impactantes ("Ele voltará em breve" - é a sensação que fica), o retorno do Colossus foi muito bem retratado graças à excepcional arte de John Cassaday. Claro, seguindo o roteiro dado por Whedon (que dava falsas pistas sobre quem voltaria). Foi uma combinação perfeita, uma ressurreição digna de nota.

Também neste arco nos é apresentado o primeiro antagonista da série, Ord. Ele é um alienígena que veio à Terra declarar guerra ao mundo pelo fato de que, de acordo com as "sombras do tempo", uma versão parecida com visões do futuro, prenunciam o fim daquele mundo (Grimamundo) por um mutante. É por esta razão que ele está por traz das pesquisas de "cura" dos mutantes, para que o fim de seu mundo não se concretize.

Aqui também é introduzida a Agente Brand da ESPADA, uma subdivisão da SHIELD, órgão ligado a questões alienígenas. Foi ela a responsável por fazer um acordo diplomático com Ord a fim de que este não iniciasse desde já a guerra ao planeta Terra. Ela será muito importante no desenvolver dos próximos arcos. Também entra em cena a adolescente Hisako (a Armadura), aluna do Instituto Xavier, que também terá alguma participação nos próximos arcos.

Ao final, com grande parte das pesquisas destruídas por Wolverine e Ord sendo capturado, os X-Men voltam ao Instituto, agora com Colossus. Emma dá novos sinais de que tem segundas intenção para com o grupo (mas seu amor por Ciclope é mostrado de forma evidente). Aliás, o clima de tensão entre Emma e Kitty é um dos grandes momentos de Superdotados (e de toda a série).

A arte de John Cassaday casou perfeitamente com o roteiro de Joss Whedon. Utilizando-se muitas vezes da "tela widescreen", a impressão que fica é que você está assistindo a um filme. Uma crítica recorrente que se faz a ele é a falta de cenários, o que, na minha opinião, não é um problema tão sério. As expressões faciais são ótimas e mostram bem o que os personagens estão sentindo nos momentos específicos. Os uniformes criados por ele também ficaram excelentes.

Apesar de ter sofrido com os atrasos, Astonishing X-Men foi se mostrando um clássico em pleno andamento, conforme iremos mostrar com as revisões dos próximos arcos no momento oportuno.

Abraço a todos!