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quinta-feira, 9 de abril de 2009

X-Men Legado 208-210: Da Gênese às Revelações.

Da Gênese às Revelações.
(X-Men Legacy 208-210, 2008)

Roteiro: Mike Carey
Desenhos: Scott Eaton, com John Romita Jr., Billy Tan e Greg Land
Arte-final: John Dell, com Klaus Janson e Jay Leisten
Marvel Comics.

Após Complexo de Messias, a revista X-Men passa a ser entitulada X-Men Legacy. Nesses primeiros números, o escritor Mike Carey constrói as bases sob as quais o título irá tratar, ou melhor, sobre o destino de seu personagem principal: o Professor Xavier.

Depois de ser alvejado por Bishop na cabeça em Complexo de Messias, o Professor X é dado como morto, assim como seu sonho de luta de pacificação de humanos e mutantes. Os X-Men se dispersam e o corpo de Charles desaparece.

Assim começa Legado. Os Acólitos, liderados por Exodus (Bennet Du Parris) foram os responsáveis pelo resgate do corpo de Xavier na Ilha Muir. Assim, Exodus tenta salvar a psique de Xavier, uma vez que seu cérebro sofreu sérias seqüelas com o tiro levado de Bishop. Nesse processo, a mente de Charles é esvaziada, enquanto Magneto e Sentinela Ômega assistem a tudo e procuram ajudar de alguma forma.

No momento em que Exodus se prepara para matar Xavier, como última solução, os dois travam um combate no plano psíquico, que acaba fazendo com que Xavier volte à vida, porém sem todas as suas lembranças. Em outro local, uma máquina de Sebastian Shaw, ex-Rei Negro do Clube do Inferno, explode depois de registrar leituras estranhas, o que o faz concluir que é algo relacionado ao misterioso “Projeto Cronos”.


A revista se mostra como uma releitura da história dos X-Men e o escritor Mike Carey demonstra segurança ao abordar aspectos do passado de Xavier e de seu grupo. Provavelmente os leitores que acompanham os X-Men há mais tempo sentirão uma qualidade maior no argumento de Carey, uma vez que reconhecerão fatos e personagens do passado do universo mutante. Já para quem começou a acompanhar X-Men há pouco tempo, ficará meio perdidos e/ou não ficarão muito interessados na história.

Pessoalmente, eu gostei do rumo que Charles Xavier tomou depois de Complexo de Messias. Agora, ele terá que correr atrás de suas memórias por meio das pessoas com quem já conviveu no passado e isso, a princípio, pode render boas histórias. A dualidade de Xavier com Magneto foi bem explorada neste início de X-Men Legacy por mostrar que nenhum dos lados venceu, ao contrário, eles foram engolidos pelo Dia M. Achei muito interessante esse novo ponto de vista.

O desprezo que Exodus demonstra para com Magneto também é um reflexo do fanatismo que ele tem pela doutrina que o próprio Magnus criou: a da superioridade da raça mutante, e o fato de Magneto não ter mais seus poderes faz com que seu antigo assecla agora o trate com menosprezo.

Os desenhos de Scott Eaton estão muito bons, no mesmo nível visto em Complexo de Messias (no título X-Factor). Só que agora Xavier não tem mais o rosto do ator Patrick Stewart, provavelmente uma imposição editorial. Convidar outros desenhistas para mostrar o que ocorre no plano psíquico também foi uma boa idéia dos editores, e, rever John Romita Jr. desenhando novamente os mutantes rende um momento nostálgico. Aliás, aqui Romitinha está melhor do que nunca (gosto muito da arte dele, mas às vezes vejo uma certa pressa em sua arte, o que não ocorre aqui).

Enfim, a partir de agora em X-Men Legacy será mostrado o caminho de Charles Xavier em busca de suas memórias perdidas e o decorrer disso, como afirmei acima, pode ser fonte de boas histórias, principalmente para os fãs da série.


Abraço!

P.S.: As cinco primeiras capas da nova fase da revista foram produzidas por David Finch em seqüência e resultaram posteriormente em um pôster, reproduzido a seguir.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

X-Men: Complexo de Messias.

X-Men: Complexo de Messias.
(X-Men: Messiah Complex, Uncanny X-Men 492-494, X-Factor 25-27, New X-Men 44-46, X-Men 205-207, dezembro de 2007 a março de 2008)

Roteiro: Ed Brubaker, Peter David, Craig Kyle, Christopher Yost e Mike Carey
Desenhos: Marc Silvestri, Billy Tan, Scott Eaton, Humberto Ramos e Chris Bachalo
Arte-final: vários
Marvel Comics.

Complexo de Messias é uma das mais gratas surpresas que tive com os X-Men nos últimos anos. Confesso que os X-Men é minha equipe de super-heróis preferida (isso pode ser observado no número de postagens sobre eles aqui neste Blog), mas já faz alguns anos que a direção que o grupo vinha tomando não andava me agradando muito.

Na minha opinião, a única exceção era com a revista Astonishing X-Men, que possuía todos os elementos que eu gostava em uma história dos X-Men, mas a revista atrasou muito e, logo depois, mudou de equipe criativa após a conclusão do arco central (que tomou 24 edições e um especial).

Porém, a Marvel decidiu reviver as antigas sagas da franquia mutante e, depois de anos sem produzir algo do gênero, criou uma história que seria contada em todos os títulos principais da franquia (Uncanny X-Men, X-Men, X-Factor e New X-Men), à exceção da revista Wolverine. Sagas que começam e continuam por quase todos os títulos? Mais anos 90, impossível!

Porém, ao contrário do que acontecia na década passada, a história aqui parece ser muito bem elaborada, no ritmo certo. Aliado a isso, cada título parece contar com uma subtrama de significativa importância para o desenvolvimento da história.


Complexo de Messias gira em torno do nascimento do primeiro e único bebê mutante após o Dia M. Os X-Men vão investigar não só o nascimento dessa criança, mas também as consequências geradas por ele: um confronto travado entre os Carrascos (liderados pelo Sr. Sinistro) e os Purificadores (seguidores da doutrina religiosa do Reverendo William Stryker). A partir dali, esses três lados saem à procura do bebê mutante recém-nascido.

Paralelamente a isso, Jamie Madrox (o Homem Múltiplo) e Layla Miller são mandados por Ciclope até a casa de Forge, no Texas. Forge relata que, depois do Dia M, existem agora somente duas linhas alternativas do futuro. Assim, Jamie deverá mandar uma cópia sua para cada um desses futuros e, na segunda operação de transporte, Layla Miller consegue ir junto com ele. Essa segunda alternativa é a que será mostrada em Complexo de Messias. Enquanto isso na Terra, a matriz de Jamie cai em coma.

No desenrolar dessa subtrama, Jamie e Layla são levados a um Campo de Realocação Mutante, onde todos os mutantes daquele futuro são levados. Lá, eles são marcados e se encontram com o jovem Lucas Bishop.

Vê-se também a decadência de Charles Xavier, que não possui mais o comando dos X-Men e é deixado de fora das decisões em torno da procura do bebê. Uma amostra clara disso é a cena mostrada em Uncanny X-Men 492, em que ele apenas observa, de fora, uma reunião tática liderada por Ciclope sobre os passos que os X-Men deverão tomar a seguir. Outro ponto importante ocorre no final da Saga, quando a decisão de mandar ou não o bebê ao futuro não cabe mais a ele, e sim a Ciclope, o atual líder em comando dos X-Men.

Os pirralhos dos Novos X-Men também têm sua participação na trama, ao fugirem da escola (pela milionésima vez) a fim de se vingar dos Purificadores e, por conta disso, caírem em uma enrascada em Washington, no covil principal do grupo religioso. Também em Washington, e a mando de Ciclope, Rictor se infiltra no grupo para descobrir se os Purificadores estão com o bebê e, de quebra, ajuda a salvar os moleques dos Novos X-Men, não sem antes descobrir que os Purificadores estão aliados à Lady Letal e seus Carniceiros.

Enquanto isso, os X-Men, após um confronto com os Acólitos, descobrem que Sinistro e seus Carrascos estão escondidos na Antártida. Ao chegarem lá, eles iniciam um confronto com os vilões (que conta, inclusive, com Gambit, não tão popular quanto antes). Lá, eles descobrem que o bebê está com ninguém menos que Cable!

Cable reaparece no mundo dos vivos e é quem está inicialmente com a criança. No desenvolver da trama é revelado que Bishop também sempre esteve atrás do bebê, mas para outros propósitos. Bishop também está atrás da criança para que o seu futuro não se torne realidade. Finalmente, os roteiristas deram um novo propósito para o personagem que, além de ser apenas mais um combatente vindo do futuro, agora tem um histórico um pouco mais rico (ou menos pobre).

Depois de um confronto dos Carniceiros com Cable, surge também a nova X-Force, uma força-tarefa criada por Ciclope para situações extremas e tendo como missão inicial impedir Cable de escapar com o bebê mutante, mesmo que isso custe a vida de Nathan. Contando com os “farejadores” das equipes principais, quais sejam, Wolverine, Apache, Hepzibah, Lupina, X-23 e Caliban, um deles acaba sendo morto em combate por um dos Carniceiros, ao mesmo tempo em que Lady Letal é derrotada (e supostamente morta) por X-23.

Em forma de pequenos interlúdios, o Predador X também sai à procura do pobre bebezinho. Ele confronta todos os X-Men no capítulo final da Saga, na Ilha Muir, e é derrotado por Wolverine de uma maneira inusitada.

Mística e Gambit também têm seu momento de destaque, já que não só Mística dá cabo de um dos maiores vilões dos X-Men, como também revela o sentido dos diários de Sina. E, como não poderia deixar de ser diferente, Gambit se alia a ela em razão dos sentimentos que nutre por Vampira, a quem Mística procura salvar da infecção do vírus Pressão 88. O melhor dessa pequena trama é a reação de Vampira quando ela desperta. Aliás, a Vampira é sempre bem caracterizada nas mãos de Mike Carey.

Complexo de Messias não enrola o leitor com diálogos desnecessários. Assim, cada edição parece mostrar um conteúdo condizente com o que normalmente caberia em uma história de vinte e poucas páginas e nenhuma delas deixa de lado cada uma das tramas paralelas que se desenvolve ao longo dos seus 13 capítulos.


No que se refere à arte, todos os desenhistas contratados fazem um bom trabalho. O único que destoa de todos os demais é Humberto Ramos, com sua medonha arte estilo mangá. Felizmente, ele foi escalado para desenhar a revista New X-Men, e, o fato dos personagens serem adolescentes, isso ameniza um pouco a frustração de ler as partes em que este artista desenha, já que seu estilo até que combina com crianças e afins. As cores também ajudaram bastante na “aceitação” da arte de Ramos.

Marc Silvestri é o desenhista da edição especial que inicia a Saga e cada vez fica mais evidente que ele é apenas uma sombra do que já foi depois que virou empresário (dono do estúdio Top Cow). Seus personagens não têm expressão, como comprova a cena em que Emma se assusta na cidade em chamas e seu rosto é um completo vazio de expressividade.

Billy Tan desenha as edições de Uncanny X-Men, mantendo a mesma qualidade dos desenhos vistos em Ascensão e Queda do Imperio Shiar. Está muito bem e penso que ele poderia ter permanecido como o responsável pela arte dessa revista depois da Saga, mas seu destino infelizmente foi outro (a revista Novos Vingadores).

Scott Eaton desenha as edições da revista X-Factor e faz um trabalho bom, muito melhor do que o que produziu no passado em títulos como o Pantera Negra. Por curiosidade, o Professor Xavier desenhado por Eaton tem o rosto do ator Patrick Stewart, que o interpretou nos cinemas.

Chris Bachalo é o meu desenhista favorito de todos responsáveis pela Saga. Com uma arte bastante estilizada, ele cuida dos desenhos da revista X-Men e, na minha opinião, adoro observar seus desenhos. Confesso, por outro lado, que às vezes fica difícil descobrir o que determinado quadro significa. Hehehe... A cena em que Cable aparece com o bebê, para mim, é uma das mais bonitas visualmente falando. A Vampira de Bachalo também é sempre caprichada.

Enfim, Complexo de Messias não só foi uma excelente história, em um estilo que deveria ser reproduzido de tempos em tempos (mas não todos os anos) como também rendeu boas idéias para futuras tramas da franquia mutante. Apesar de ter sido a “causadora” do lançamento de novos títulos mensais, a maioria deles está rendendo boas críticas e isso certamente pode ser considerado como um acerto editorial. É o que veremos em breve.

Abraço!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

X-Men 188-194: Supernovas.


Supernovas.
(X-Men 188-194, julho a novembro de 2006)

Roteiro: Mike Carey
Desenhos: Chris Bachalo, com Clayton Henry
Arte-final: Tim Townsend, Mark Morales e outros
Marvel Comics.

Supernovas, a primeira empreitada de Mike Carey como roteirista da revista X-Men, é um arco que pode ser considerado como “apenas bom”. Não obstante uma pequena confusão que se possa fazer no início, por conta de alguns mistérios que ele lança ao longo das seis edições que contém a trama, e demora muito para desvendá-los, o maior feito de Carey é poder pegar vários personagens secundários da franquia e colocá-los em evidência com excelentes caracterizações.

Apesar de ter durado por pouquíssimas edições, logo após o encerramento deste arco, a equipe formada por Carey conta com Vampira, Cable, Míssil, Homem de Gelo, Mística, Dentes de Sabre, Mestra Mental e Sentinela Ômega. É uma formação um tanto quanto bizarra, tendo em vista que metade dela tem um caráter bastante duvidoso.

Porém, a forma como Mike Carey encontra para inserir vilões como Mística e Dentes de Sabre até que funciona. Pena que, com relação a este último, o escritor Jeph Loeb o tenha usado simplesmente para criar uma história cretina e “definitiva” no título Wolverine (vol. 03), que você pode conferir clicando aqui.

A utilização da vilã Mística, por sua vez, dá o tom no desenvolvimento da personalidade de Vampira que, depois de um certo tempo meio ofuscada, volta a ter o carisma de lhe trouxe a fama. Mas deixo ressalvado aqui que detesto a transformação de vilões em heróis, principalmente nos X-Men, já que a equipe parece sofrer dessa sina. Mas a Mística utilizada por Carey é exatamente aquela que imagino como o ideal para a personagem, cheia de malícia. Ela definitivamente não pode ser considerada como uma heroína nessas histórias do Carey.

O escritor utiliza também várias tiradas nas frases dos personagens, com ironia ou até mesmo perplexidade como, por exemplo, no momento em que um deles afirma sobre a manutenção dos poderes de Dentes de Sabre, após do Dia M: “Milhões de mutantes perderam os poderes naquele dia e você continuou igual? No que Deus estava pensando?”.

No entanto, o grupo de vilões mostrado nessa história, chamado Filhos da Câmara se mantém “misteriosos” por tempo demais. Sua origem de evolução paralela é bastante interessante, mas seus objetivos acabam ficando postergados para as edições finais, o que faz com que o leitor que acompanhou o arco por meio das edições originais (seis meses), acabe ficando um pouco perdido.

Chris Bachalo faz um ótimo trabalho desenhando os X-Men, tirando um ou outro quadro que aparenta ser incompreensível. Suas cenas de ação ficaram muito boas, com destaque aos “efeitos especiais” de quadros com vôo e super-velocidade. Também gosto bastante a forma que ele desenha a Vampira.

Clayton Henry, o desenhista “tapa buraco” (fill in) oficial das revistas X-Men e Uncanny X-Men dessa época, traz um resultado agradável na edição que desenha, porém destoa bastante do estilo de Bachalo. Mais uma vez, a falta de planejamento editorial prejudicou a unidade do arco no quesito arte. Pena que Chris Bachalo é incapaz de desenhar seis edições seguidas nos dias de hoje.

Supernovas, na minha opinião, é um bom início à esta nova fase dos X-Men. Pena que durou pouco e, dentro de poucas edições, já estaríamos diante de uma miscelânea de personagens do universo mutante, sem que possamos considerá-la como uma formação de equipe.



Abraço!