terça-feira, 28 de outubro de 2008

Surpreendentes X-Men 13-18: Destroçados.

“Destroçados”
(Astonishing X-Men 13-18, a partir de abril de 2006)

Roteiro: Joss Whedon
Desenhos: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Marvel Comics.

Destroçados é o arco mais intimista de Surpreendentes X-Men. Volto a dizer que quando os autores usam de personagens fixos para trabalhar, e assim é muito mais fácil contar uma história coesa e desenvolver os personagens de forma adequada. E é exatamente isso que vemos aqui.

Em um aparente retorno e com uma nova formação, o Clube do Inferno está de volta disposto a acabar com os X-Men e com um plano secreto em mente (que será revelado ao final do arco). Composto agora por Sebastian Shaw (o Rei Negro), a x-man Emma Frost, a misteriosa Perfeição, Cassandra Nova e Míssil Adolescente Megassônico (sim, esse nome mesmo, que inclusive é ridicularizado por Kitty Pride numa batalha), o Clube do Inferno consegue concretizar o pior pesadelo de todos os X-Men.

O primeiro deles, e melhor, é com relação ao Ciclope. Emma faz uma regressão com Scott e nos é revelado um segredo que ele guardou desde que adquiriu seus poderes: ele decidiu não ter o controle sobre seus poderes por conta de suas próprias inseguranças. Isso o deixa totalmente indefeso e o leva ao coma.

Já Míssil Adolescente Megassônico faz com que Kitty se desmaterialize até afundar no subterrâneo do planeta. Wolverine se torna uma criança assustada, Fera perde o intelecto de vez e vira um ser irracional, e Colossus confrona Shaw com toda sua fúria e recebe tudo o que despendeu de volta (esse é poder de Shaw) e é nocauteado.

Há um mistério por trás do retorno desse Clube do Inferno que é revelado ao final. Também é amarrado o fato do por que ter sido a própria Emma quem decidiu que Kitty Pride deveria voltar ao grupo, mesmo sabendo que esta o odeia. Aliás, o confronto das duas, em uma cena que se inicia com a quebra de um espelho é espetacular e muito criativo. Dispensável dizer que contém também ótimos diálogos entre as duas.

Enquanto isso, continua os preparativos para o último arco da série sob as mãos de Whedon e Cassaday. A Agente Brand vai até o Zênite, o quartel-general da ESPADA e descobre quem é o X-Man responsável pela dizimação do Grimamundo: Colossus. E ao saber que aquele mundo perdeu contato com a Terra, pressupõe que a guerra poderá ter início a qualquer momento.

Assim, decide agir. Aqui é revelado quem é o agente infiltrado na mansão: Lockheed. Na prisão do Zênite, Perigo contata Ord e propõe a ele um acordo para que ambos derrotem os X-Men. Assim, eles planejam a fuga de Ord e, com sucesso, vão até a Mansão X atrás de Colossus.

Assim que Perfeição se revela como a Rainha Branca, algumas coisas inicialmente inseridas no arco não começam a fazer sentido. Mas só de modo aparente. Assim que Ciclope ressurge atirando em todos os integrantes do Clube do Inferno, descobrimos que nada daquilo era real.

Tudo não passou de um plano de Cassandra Nova que implantou uma espécie de comando na mente de Emma Frost para que, no momento oportuno, esta usasse os X-Men para libertá-la. Há, inclusive, um retcon que se passa momentos antes do arco E de Extinção (como já foi dito, o primeiro de Grant Morrison nos mutantes).

Ver Ciclope, ao final, vestindo o seu traje de New X-Men também é uma bela surpresa. Particularmente, prefiro os colantes coloridos, mas no caso do Ciclope o visual ficou muito bom.

Os outros X-Men voltam ao normal (Wolverine encontra uma cerveja e Fera vê um novelo de lã, parte de um plano de “resgate” elaborado por ele e o Professor X). Enquanto isso, Kitty é telepaticamente manipulada e usa seus poderes para liberar Esponja, a prisão orgânica de Cassandra Nova. Kitty pensava que estava libertando seu suposto filho com Colossus, mas assim que cumpre seu papel, ela volta à realidade.

E assim a questão da traição ou confiança em torno de Emma Frost é colocada em evidência ao final. Sua culpa por ter sido a única sobrevivente do massacre de Genosha é desenvolvida por Scott e assim entendemos todo o seu drama (ao mesmo tempo em que nos deparamos de como é bom personagens ricos em personalidade e distintos entre si). Se ela auxilia na libertação de Cassandra ou se consolida sua condição de X-Man é o grande mote para o desfecho do arco.

Para concluir, assim que Ord e Perigo chegam até os X-Men, a Agente Brand teletransporta todos eles para sua nave e os leva em direção ao Grimamundo. O paradeiro de Cassandra é um mistério que fica em aberto com essa interrupção abrupta.

Pessoalmente, acho a segunda parte a melhor de todas. As questões existenciais de Ciclope finalmente revelam o quão interessante sua personalidade se mostra e o quão incisiva Emma é ao praticamente humilhá-lo quanto às suas escolhas já tomadas. Um espetáculo de caracterização feito por parte de Joss Whedon.

Em agosto de 2007, fiz uma resenha sobre a edição 68 da revista X-Men Extra (Panini) para o Fórum de Quadrinhos MBB, que é justamente a que mostra a segunda (e melhor) parte do arco. Reproduzo o que escrevi a seguir, com algumas adaptações:


[Avaliação] Surpreendentes X-Men #68 (ou XMEx).


Sem sombra de dúvida, Astonishing X-Men é um dos melhores títulos publicados atualmente. Toda a essência do universo dos X-Men consolidada ao longo dos anos e que conquistou uma legião de fãs encontra-se neste título. Magistralmente escrito por Joss Whedon, que atrasa um bocado para entregar os roteiros, é interessante notar que a cada edição lançada o leitor consegue perdoá-lo dada a qualidade do texto, com exceção de uma ou outra voz isolada e sem ressonância.

Depois do segundo arco, "Perigoso”, que foi aquém do primeiro, o título parece voltar a se destacar dada a nova trama que se desenvolve desde a edição passada. O Clube do Inferno, uma das organizações de vilões mais interessantes dos quadrinhos, está de volta e agora é composto por Sebastian Shaw, Cassandra Nova, Míssil Adolescente Megassônico e Emma Frost. A participação desta última foi o grande chamariz para o início da nova “temporada” da revista e nesta edição vemos como foi, em termos, o planejamento da dizimação da população de Genosha, mostrada no arco E de Extinção, há algum tempo atrás.

Após aparecer travestida de Fênix, Emma Frost mostra a Scott (Ciclope) ao longo da edição os entraves psicológicos que ele teve que lidar desde o dia do acidente de avião que culminou na sua orfandade. É interessante notar o paralelo que o Whedon desenvolve ao mostrar as inseguranças do personagem com relação às pessoas à sua volta, ao seu modo amar, com os poderes contidos pelo seu visor de quartzo rubi. À primeira vista, parece pura maldade da ex-Rainha Branca ao ficar brincando com os sentimentos do Ciclope, mas quanto mais a história se desenvolve, vemos que, por mais que tudo indica que uma trama maior está por trás disso tudo, a intenção de Emma não é das piores.

E nisso, devemos parabenizar Whedon pelo espetáculo de caracterização deste casal de personagens. Existem várias passagens dignas de nota em uma história de vinte e duas páginas, e pouquíssimas pessoas conseguem escrever tanta coisa boa em um espaço tão curto.

O ponto alto, na minha opinião, ocorre quando a Emma compara o Ciclope com os outros líderes do universo Marvel. Inicialmente, destaca todas as qualidades dos demais integrantes dos X-Men, mostrando algo de especial em cada um deles, à exceção do pobre Scott e conclui de forma massacrante:


“Você já viu outros lídres, Scott. Eles se destacam. Não têm como evitar. Na única vez em que você precisou defender seu título, o perdeu para Tempestade. Potencialmente, os X-Men são a equipe mais poderosa do planeta... e Xavier lhe entregou o comando. Por pena. Porque acreditava que você seria um fiasco se não tivesse um pouco de motivação.”

Para mim, a melhor passagem, de longe. A lembrança da disputa do título com a Tempestade, ocorrida há um bom tempo atrás, também é um bom alento para quem acompanha os personagens e vê sua história ser respeitada no meio de tanta confusão que se seguiu ao longo dos anos, notadamente nos anos 90. Inclusive, muito boa essa história lembrada, que foi desenhada por Rick Leonardi e escrita por Chris Claremont (claro que tinha que ser dele!). Salvo engano, foi publicada aqui em X-Men 25 da Editora Abril. Quem achar num sebo qualquer, vale muito a pena a leitura! Abaixo, a homenagem do Cassaday.



Não poderia terminar de falar sobre a história sem destacar a hilária cena da Kitty, ao usar seus poderes na hora mais inapropriada possível. Quem não for comprar a revista, dá uma folheada que é muito boa a cena.

Minha única crítica é a falta de desenvolvimento do Colossus. As vozes que o defendem dizem que ele é “quietão” assim mesmo, mas penso que não obstante tenha sido uma boa hora para trazê-lo de volta, o personagem simplesmente voltou e o máximo que faz é dar uns beijinhos na Kitty e soltar uma frase ou outra, de forma lacônica, de vez em quando.

Nos desenhos, John Cassady mantém o alto padrão das edições anteriores e faz belas seqüências. Algumas expressões da face da “Jean” ficaram meio esquisitas, mas a Emma que ele desenha compensa qualquer coisa. Destaque também para o Fera que é sempre muito bem retratado tanto nas falas como nos desenhos.

Pra concluir, termino dizendo que essa história não deixa de ser uma espécie de redenção para aqueles que não viam nenhum significado no modo de ser do Ciclope. Uma coisa é não concordarmos com as atitudes dele, outra é maldizê-lo pelo simples fato de ele não posar de “fodão”. Uma bela distinção de personalidades. E é exatamente essa a beleza das equipes de super-heróis: a heterogeneidade dos seus integrantes.

Abraço a todos!

Supreendentes X-Men 07-12: Perigoso.

“Perigoso”
(Astonishing X-Men 07-12, a partir de janeiro de 2005)

Roteiro: Joss Whedon
Desenhos: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Marvel Comics.

Vimos que o primeiro arco de Surpreendentes X-Men apresentou alguns personagens que seriam importantes para os próximos. Da mesma forma, foi mostrada qual seria a formação da equipe de personagens que Whedon trabalharia, o que se mostrou uma decisão muito acertada de não encher o título com dezenas de mutantes. Com uma equipe fixa de meia dúzia de personagens, há espaço para trabalhar a personalidade de cada um deles de maneira satisfatória. E é exatamente isso que acontece nesse arco.

“Perigoso” trata da evolução e origem da Sala de Perigo, o ambiente virtual no qual os X-Men treinam suas habilidades. Na sua origem, era um emaranhado de ferramentas mecânicas ou buracos para Jean Grey brincar de tricô (leia as resenhas de Os X-Men para saber mais).

Depois que foi impregnada de tecnologia Shiar, a Sala de Perigo se tornou um ambiente de realidade virtual. Assim, mundos e situações poderiam ser reproduzidos de forma “real”, com um único e principal detalhe: a sala não poderia matar. Havia um empecilho, um impedimento para que ela não chegasse a tanto. Uma trava, dispositivo de segurança criado por Charles Xavier que a impedia de cumprir exatamente aquilo que ela foi programada: matar os mutantes.

Assim, a partir do momento em que ela “evolui”, ao deixar que um dos alunos (Asa) curados no primeiro arco praticamente se suicide, a inteligência artificial se diz livre do bloqueio. Ao mesmo tempo, planeja que os X-Men a libertem do espaço físico que a prende ao reativar um antigo Sentinela que chama a atenção dos X-Men, enquanto aprisiona todos os alunos.

Assim que o núcleo de comando é destruído por Wolverine (tentando retirar os alunos da sala), ela é libertada e se molda em um corpo físico robótico.

Depois de derrotar todos os X-Men em uma luta corpo a corpo, ela vai atrás de seu criador, Charles Xavier. Em Genosha, inicia-se outra luta impressionante entre os dois, recheada de diálogos e situações inovadoras. Xavier engana Perigo com “jogos mentais” e assim que ela acha que está pronta para dar o “bote”, ele já tinha agido anteriormente decepando-a.

Em cenas paralelas, a Agente Brand, da ESPADA, continua com sua empreitada em tentar achar uma solução pacífica para o provável conflito terrestre com o Grimamundo (o de que um X-Man destruiria aquele planeta). Ela cita a presença de um infiltrado na Mansão X e diz as seguintes palavras proféticas: “Há uma bala apontada pra cabeça deste planeta. Todos vocês sabem do que estou falando”. Isso que é planejamento editorial impecável! Em breve, saberemos as razões.

Como sua cartada final, Perigo traz de volta o robô sentinela responsável pelo massacre de milhões de mutantes visto em E de Extinção (primeiro arco de Grant Morrison em New X-Men). E esse é o confronto final entre Perigo e os X-Men (que vão à Genosha com o auxílio de Reed Richards, já que o Jato X havia sido destruído por ela). Digno de nota é o caso ser resolvido com o intelecto de Kitty Pride, fato esse reconhecido pelo Fera logo depois de agir apenas com seu instinto no seu confronto com Perigo.

No final, os X-Men têm uma dura discussão com o Professor X a respeito da sua ética ao prender uma forma de vida (mesmo que artificial) por tantos anos. O professor tenta mostrar suas razões para a defesa de sua causa, mas elas são desacolhidas pelos seus alunos. Uma discussão realmente interessante.

O arco Perigoso é o mais “fraco” (termo impreciso para esta revista) de Surpreendentes X-Men nas mãos de seus criadores originais (não levo em conta a recente e nova fase de Warren Ellis, ainda em andamento). Mas, mesmo assim, é uma excelente história que supera e muito as dezenas de títulos regulares que se encontram por aí (os famosos “feijão com arroz”).

Por fim, mais evidências são mostradas no sentido de Emma Frost estar ocultando suas verdadeiras intenções para com os X-Men, que será a trama central do próximo arco de histórias da revista.

Abraço a todos!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Os X-Men 10: A chegada de... Ka-Zar!

"A chegada de... Ka-Zar!"
(The X-Men 10, março de 1965)

Roteiro: Stan Lee
Desenhos: Jack Kirby
Arte-final: Chic Stone
Marvel Comics.

"O mundo em que o tempo esqueceu". Adoro essa frase. Ela resume muito bem a Terra Selvagem, um dos ambientes mais fascinantes do Universo Marvel. Escondida no meio da Antártida, essa região possui flora e fauna dos tempos da era pré-histórica, de modo a dar ensejo a histórias fascinantes (anos depois, seria revelado que a região foi construída por aliens). Os X-Men, por exemplo, revisitarão a Terra Selvagem inúmeras vezes depois desta edição.

Aqui também é mostrada a primeira aparição da versão moderna do personagem Ka-Zar, bem como de seu fiel tigre dentes-de-sabre Zabu. Ele se intitula nesta edição como "o Rei das selvas". Qualquer semelhança com Tarzan não é mera coincidência (o Fera chega a citar isso quando o vê na televisão).

A história se inicia com os X-Men treinando na Sala de Perigo. Nos é informado que eles são pós-graduados, mas não me perguntem o que isso significa nos padrões do Instituto Xavier. Quando vão a procura de Warren (o Anjo), eles ficam atônitos ao verem uma reportagem na TV sobre uma expedição na Antártida em que um dos exploradores desapareceu e, tempos depois, é levado de volta ao acampamento por um homem misterioso vestindo apenas uma tanga com pele de leão, ao lado de um tigre dentes-de-sabre. Ka-Zar e Zabu, respectivamente.

Os X-Men correm para a sala do Professor X e contam todo o ocorrido. Eles desconfiam de que Ka-Zar possa ser um mutante devido a sua resistência ao frio. Mas o Professor Xavier diz a eles que Ka-Zar não é mutante porque Cérebro não o detectou. Mesmo assim, a fim de poder dar um pouco de aventura aos seus pupilos, o professor autoriza-os a viajar até a Antártida para investigar o caso. Belo modo de introduzir um personagem que não tem nada a ver com a premissa da revista.

No meio da neve, os X-Men descobrem um túnel secreto que os leva até a Terra Selvagem. Chegando lá, eles se deparam com pterodáctilos, que tentam almoçar o Anjo, e outros seres dos tempos pré-históricos. Em seguida, eles são atacados por homens selvagens e, logo depois, Ka-Zar surge aos berros. Os selvagens fogem e levam consigo a Garota Marvel (coitadas, sempre elas).

Os X-Men e Kazar tem um pequeno momento de desentendimento, mas que é resolvido logo depois. Ka-Zar berra novamente.



E assim, eles vão à procura de Jean Grey.

Enquanto isso, o Anjo faz novamente um reconhecimento de área e é capturado também (os X-Men precisam de um Mestrado ou Doutorado urgente, essa pós-graduação não está servindo pra muita coisa não...).

A Garota Marvel e o Anjo são levados ao topo de uma montanha e lá eles têm que enfrentar um temível Tiranossauro Rex. Jack Kirby bem que tenta, mas vejam o quão "assustador" ele é na figura a seguir.




E assim, depois de muita batalha para salvar seus amigos, Ka-Zar e os X-Men derrotam os homens selvagens graças à uma manada de mastodontes invocada por mais um dos berros do Rei das Selvas da Marvel.

No final, Ka-Zar volta a ser holtil com os X-Men e os expulsa da Terra Selvagem. Stan Lee promete novas revelações do personagem.

Pois bem, a história é bastante agradável, com aquele ar inocente que temos que nos acostumar (sou de outra geração, não há quem me faça crer que posso sentir naturalidade ao ler essas histórias antigas da mesma forma como as que são produzidas atualmente). Parece que, finalmente, a saturação da Irmandade de Mutantes na série se foi e novas tramas estão sendo apresentadas a cada edição.

E o Fera tem se mostrado o meu personagem preferido desta fase inicial dos X-Men. Desde que assumiu suas falas com um tom mais eloqüente, Hank é de longe o personagem que mais faz tiradas inteligentes com seus interlocutores. Sua participação, para mim, é essencial para dar um pouco de vida à equipe (sinto muito, mas as gracinhas do Homem de Gelo não me empolgam).

Destaque: Fera.

Os desenhos do "Rei" cumprem bem o seu papel. Bem precisos e limpos e sem destaque a ser mencionado, a não ser o fato de que Jack Kirby teve que desenhar criaturas pré-históricas. Convenhamos, ele podia desenhar de tudo!).

A título de curiosidade, Ka-Zar é uma reformulação de um personagem da Era de Ouro dos quadrinhos de mesmo nome, criado pelo autor Bob Byrd. O personagem apareceu em Marvel Comics # 1 (outubro/novembro de 1939) e Mystery Marvel Comics # 2-27 (dezembro de 1939 a janeiro de 1942). No entanto, ele apareceu pela primeira vez em revistas pulp fiction de 1936. A edição dessas revistas era da Manvis Publishing, ligada à Timely, esta que foi a precursora da Marvel Comics na Era de Ouro. O Ka-Zar original lutava na selva contra bandidos no Congo Belga. Lee e Kirby o introduziram na Era de Prata na região da Terra Selvagem, de maneira a distingui-lo um pouco do personagem que o inspirou (Tarzan).

Abraço a todos!

Primeira aparição: Ka-Zar (na Era de Prata), Zabu.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Os X-Men 09: Surgem os Vingadores!

"Surgem os Vingadores!"
(The X-Men 09, janeiro de 1965)

Roteito: Stan Lee.
Desenhos: Jack Kirby.
Arte-final: Chic Stone.
Marvel Comics.

A história inicia-se em um transatlântico dirigindo-se à Europa. Por conta de um nevoeiro, um iceberg surge repentinamente à vista dos tripulantes, sem possibilidade de desvio. Graças à uma rajada óptica de Ciclope, tudo é resolvido.

Ciclope explica aos demais X-Men que o Professor Xavier o contatou há uma semana para que eles fossem à Europa para ajudá-lo numa missão que ainda não havia sido revelada. Nesse exato momento, Xavier o contata e diz que está indo ao encalço de Lúcifer, o responsável por privá-lo do uso de suas pernas. Note a incoerência com a informação passada pelo próprio Xavier na primeira edição da revista, ocasião em que o mentor do grupo revela que ficou aleijado em um acidente de infância. O Professor X promete contar toda a história em outra oportunidade (e ele efetivamente o fará em The X-Men 20).

Lúcifer cria algumas armadilhas a fim de impedir Xavier de se aproximar dele. Porém, este escapa ileso. No momento em que começa a atirar com um revólver no vilão (espere para ver a incoerência com o final da história), Lúcifer informa que não pode sofrer qualquer ataque pois uma bomba capaz de destruir um continente (a Antártida e não a Europa, conforme é mostrado no final da história) está ligada aos seus batimentos cardíacos.

E esse é o mote para o confronto dos X-Men com os Vingadores. O martelo de Thor, Mjolnir, detecta "impulsos estranhos" e "malignos" e assim os Maiores Heróis da Terra (foi pra você M1ster) viajam para a Europa a fim de acabar com esse perigo iminente.

Como Lúcifer não pode ser detido em razão da eventual detonação da bomba, os X-Men são incumbidos pelo Professor Xavier de impedir que os Vingadores confrontem o vilão. E assim, boa parte da edição mostra o combate das duas superequipes. Ocorre que nada impedia Xavier de já ter avisado seus pupilos sobre as razões desse impedimento. Com isso, evitar-se-ia o combate (perdão pela mesóclise). Mas, convenhamos, isso perderia toda a graça da história. Tramas inocentes, preciso me lembrar sempre disso quando leio essas histórias da Era de Prata.

Há uma bela citação do Fera nesta edição que eu gostaria de reproduzir. Ficou muito boa, na minha opinião:

Não preciso mais de minhas roupas civis! Não há razões para continuar disfarçado! O prelúdio acabou! Agora, as cortinas se abrem para o primeiro ato! O palco está montado... o elenco está reunido... e, a não ser que tenha me enganado feio, o Fera será um dos protagonistas!


Muito bom! Realmente, o Stan Lee é o "The Man".

No subterrâneo dos Balcãs, Xavier usa seus poderes para controlar os batimentos cardíacos de Lúcifer. Logo após, o professor contata Thor e explica todo o ocorrido. Os Vingadores partem deixando a missão por conta dos X-Men e o confronto resta inacabado.

Depois do vilão adormecer (é mostrada a complexidade do procedimento nas palavras do professor durante o embate), Xavier e Ciclope desarmam a bomba. É aqui que se mostra as conseqüências da eventual explosão.

No final, os X-Men deixam Lúcifer partir gratuitamente sob o argumento de que "os X-Men juraram nunca machucar os humanos", o que é no mínimo estranho se levarmos em conta que a prisão seria o mais sensato depois de um vilão periclitar a vida de inúmeras pessoas. Xavier também humilha o coitado dizendo que o deixa partir para que ele sinta a sensação de derrota. Que maldade, Professor! Fica no ar um mistério sobre a origem de Lúcifer mostrado por meio dos pensamentos do Homem de Gelo.

Apesar da suposta importância de ter sido o responsável por deixar Xavier em uma cadeira de rodas, Lúcifer nunca teve muito destaque na mitologia mutante, uma vez que Xavier voltou a andar por mais de uma vez e outros eventos o fizeram ficar paralítico novamente. Ainda agrava a situação do vilão o fato deste não ter um propósito específico. O máximo que ele consegue dizer a Xavier é que passou anos esperando por seu ataque à humanidade (no mínimo dez anos, já que ele fala que este foi o tempo de construção da bomba térmica).

Destaco uma cena no mínimo patética (ah, a inocência) em que Jean Grey é alertada por Ciclope de um buraco minúsculo a sua frente. Usando seus incríveis poderes telecinéticos, Jean prefere usar um pedaço de madeira para cobri-lo do que simplesmente dar um passo um pouco maior (sim, estou sendo irônico). Tentarei reproduzir a imagem ao final dessa revisão.

Com relação à arte, Jack "O Rei" Kyrby continua com seu traço simples e limpo (porém, inovador para os padrões da época). E pessoalmente já me acostumei com a arte-final de Chic Stone.

Enfim, uma boa edição, com o provável primeiro crossover dos X-Men com os Vingadores e uma trama inédita que não tem nenhuma relação com a Irmandade de Mutantes (sim, ainda estou traumatizado).

Abraço a todos!

Primeira aparicão: Lúcifer.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Vingadores: A Queda.

"Caos"
(Avengers 500-503, Avengers Finale, a partir de outubro de 2004)

Roteiro: Brian Michael Bendis.
Desenhos: David Finch.
Arte-Final: Danny Miki.
Marvel Comics.

A saga Vingadores: A Queda pode ser considerada como o início da ascenção dos Vingadores como o novo carro-chefe da Marvel Comics. Ressalte-se que isso não quer dizer que é sinônimo de qualidade. A alteração da franquia líder de merdado (dos X-Men para os Vingadores) foi lenta e gradativa e cheguei a pensar que isso nunca iria ocorrer de fato. Mas com um bom golpe de marketing e a escalação de uma equipe criativa de peso e respeito por grande parte dos fãs, isso acabou acontecendo e hoje Novos Vingadores continua mantendo um alto nível de popularidade e lista sempre como um dos líderes de vendas todos os meses.

Ocorre que, não obstante a repercussão que A Queda teve no Universo Marvel, a história é bastante irregular. Uma seqüência de eventos trágicos dá início à saga, da explosão da mansão dos Vingadores (matando o Homem-Formiga, Scott Lang) à morte do Gavião Arqueiro num iminente (e aparente) ataque Kree. Nesse ínterim, um Tony Stark supostamente bêbado num discurso na ONU perde o seu cargo de Secretário de Defesa dos EUA, e a Mulher-Hulk descontrolada parte o Visão ao meio. Tudo muito chocante, trágico, como pedia o roteiro. Mas tudo muito rápido, trágico, no mau sentido.

Todas essas cenas são mostradas quase que de forma gratuita para, ao final, revelar quem seria a responsável por traz de tudo: a Feiticeira Escarlate. É triste a maneira como Bendis revela os motivos pelos quais Wanda perde o controle da sanidade: um comentário inesperado da Vespa num banho de Sol, a respeito dos outrora filhos que Wanda criou com a sua magia. Depois disso, Wanda parte em busca de Agatha Harkness a fim de descobrir as respostas sobre essa história, a mata e passa a criar novamente seus filhos num mundo ilusório criado por ela.

A revelação da verdade por trás de todas essas tragédias é trazida pelo Dr. Estranho, que faz uma grande explanação sobre os motivos da loucura de Wanda, tentando parecer bastante convincente (não só para os Vingadores, mas para os leitores também já que todos somos pegos de surpresa). Destaque para as páginas em que há as explicações do Dr. Estranho sobre a Feiticeira Escarlate, com desenhos de vários artistas, notadamente George Pérez e John Byrne, em momentos importantes da história da personagem.

No final, o Dr. Estranho faz um rápido, solitário e morno embate mágico com a Feiticeira Escarlate. Aliás, nesse desfecho relâmpago, os Vingadores somente assistem a tudo, ou melhor, há uma página dupla onde criaturas invocadas pela magia da Feiticeira Escarlate dá um pouco de trabalho a eles enquanto o Dr. Estranho assume a proeminente missão de resolver tudo. Ao final, de forma gratuita, eles entregam Wanda ao seu pai, Magneto, que a leva embora para Genosha (a continuação da história de Wanda continua na também irregular saga Dinastia M).

Os desenhos de David Finch vão do razoável ao constrangedor. No encadernado, é mostrado nos comentários do desenhista que as alterações corporais da Mulher-Hulk é uma influência da arte de Simon Bisley. Só que o trabalho do Finch com a progressiva "masculinização" da personagem é constrangedor de tão ruim. Há quadros em que um dente da Mulher-Hulk é maior que o seu próprio nariz!

De positivo, destaco os vários antigos integrantes dos Vingadores atendendo ao código branco, de maneira que mostra um sinal de união e consideração desse grupo que já agregou os mais variados tipos de heróis (a rotatividade dos integrantes é a marca dos Vingadores).

O ponto alto acaba sendo mesmo o epílogo da saga, publicado em Avengers Finale. Ao mostrar a repercussão que o caso gerou, o Homem de Ferro decide parar de financiar os Vingadores e vários membros da equipe decidem também abandonar o grupo. Nos momentos finais, vários personagens relembram os melhores momentos pelos quais os Vingadores já passaram, numa bela passagem pela história da equipe nessas mais de 500 edições. E para fechar esse epílogo, o Capitão inicia uma homenagem oferecendo um brinde ao Gavião Arqueiro e ao Homem-Formiga, de maneira que os outros Vingadores presentes relembram os demais heróis também falecidos no decorrer da história. Uma bela conclusão.

Apesar desse desfecho memorável, A Queda parece mais um meio rápido de se desmantelar um grupo a fim de que o autor, Brian Michael Bendis, pudesse começar sua jornada na história dos Vingadores. O que veio a seguir foi deveras inovador, porém muito diferente do contexto que a história da equipe já mostrou. O sucesso editorial se mostrou evidente: os Vingadores assumiram a dianteira das franquias da Marvel, mas ao custo da equipe ser considerada irreconhecível pelos fãs mais ávidos da série.

Abraço a todos!


The Amazing Spider-Man 471-545 (por J. Michael Straczynski).

The Amazing Spider-Man 471-545.

Em 2001, J. Michael Straczynski, criador da série televisiva Babylon 5 e escritor das séries autorais Rising Stars e Midnight Nation, publicadas pela Top Cow, se torna o novo escritor do título principal do Homem-Aranha (Amazing Spider-Man).

A expectativa era grande, já que o personagem amargava uma fase muito ruim. Howard Mackie reiniciou a numeração das séries Amazing Spider-Man e Peter Parker: Spider-Man, junto com os desenhistas John Byrne e John Romita Jr., mas as histórias, não obstante esse reboot, estava muito aquém do esperado.

Assim, pouco tempo após assumir o cargo como editor-chefe da Marvel Comics, Joe Quesada foi atrás de um nome de peso e que tivesse uma visão diferente e atual para o personagem a fim de salvá-lo do marasmo. E assim J. Michael Straczynski foi o escolhido.

O início da fase de JMS foi excelente. Straczynski criou uma trama na qual se questionava acerca da verdadeira origem dos poderes de Peter Parker. Por meio de um personagem misterioso chamado Ezekiel, que também tinha poderes de Aranha, ficou em aberto a questão se os poderes adquiridos por Peter na adolescência vinham da radiotatividade ou da própria aranha, e mais, se esse contato com a aranha não foi proposital. Questionou-se ainda as figuras totêmicas dos animais representados pelos inimigos do Homem-Aranha e sua relação com elas.



Outra mudança também foi com relação ao emprego de Peter Parker. Sempre figurado como um fotógrafo freelancer das cenas de ação do Homem-Aranha para o Clarim Diário, Peter Parker decide lecionar em uma escola secundária após ver o declínio pelo qual passa a escola da região em que ele estudou quando adolescente. As cenas na escola rendem bons momentos com os alunos, e alguns deles ganham destaque nas tramas posteriores. Aliás, o humor volta nessas primeiras edições.

Por um longo período, o Homem-Aranha, outrora um personagem divertido e engraçado, se tornou um poço de lamúrias e sofrimento. Straczynski resgata o clima original.

Apesar de ter despertado a ira de poucos fãs, as idéias de J. Michael Straczynski eram bastante interessantes e tinham um ar de novidade e inovação que fazia muito tempo as histórias do personagem não traziam. Também foi criado um novo vilão chamado Morlun, o qual pelas próximas edições trava um excelente embate quase mortal com o Homem-Aranha.



Concluído esse primeiro arco, em Amazing Spider-Man #36 (477) é mostrada a repercussão da queda das Torres Gêmeas no Universo Marvel. É uma bonita história de união de heróis e vilões no sentido de ajudar os bombeiros que lutaram para salvar as vidas dos sobreviventes do ataque terrorista. A única incoerência é a retratação de alguns vilões, como o Dr. Destino chorando por um ato que ele está mais do que acostumado a cometer.

As duas edições seguintes tratam de questões pessoais de Peter Parker. A edição #38, para mim, é uma das mais belas histórias já contadas do Homem-Aranha. Trata-se de "A Conversa", uma história muito emocionante na qual Peter e sua Tia May discutem o fato dele ter escondido seu segredo por tantos anos. Excelente e um dos pontos altos da fase de J. Michael Straczynski à frente do título.



As histórias que vieram logo em seguida, até a saída de John Romita Jr. dos desenhos podem ser consideradas muito boas ou excelentes. São histórias sem grandes repercussões mas que contam com bons diálogos e interação entre os personagens. Por falar em diálogos, esse é um dos pontos fortes na escrita de J. Michael Straczynski.

Em Amazing Spider-Man #50 (491), Peter e Mary Jane reatam o casamento e a partir daí, ela passa a fazer parte do time fixo de coadjuvantes da revista.



Quando a revista chega à edição 500 da numeração original, a antiga é abandonada de vez. Nessa edição comemorativa, desenhada pelo lendário John Romita Sr. e seu filho (o artista regular), Peter Parker faz aniversário e viaja no tempo reencontrando vários vilões clássicos de sua imensa galeria. A edição conta também com a participação de diversos personagens da Marvel.

As últimas histórias desenhadas por John Romita Jr. também foram o divisor de águas da qualidade das histórias de Straczynski. A última história desenhada por ele ("O Livro de Ezekiel") retoma a trama do Ezekiel e da origem totêmica de seus poderes.



As histórias que vieram posteriormente foram desenhadas pelo brasileiro Mike Deodato Jr. A maioria delas é fraca e a primeira delas é justamente o polêmico arco "Pecados Pretéritos" ("Sins Past"). Esse arco mostra os filhos de Gwen Stacy com Norman Osborn (o Duende Verde!).

A história partiu do próprio J. Michael Straczynski, porém a idéia original da "paternidade responsável" saiu de Peter Parker para Norman Obsorn porque Joe Quesada não queria passar a impressão aos leitores de que Peter tivesse feito sexo com Gwen antes de casar(!!!).



Feito o estrago, a fase desenhada pelo Deodato conta ainda com um arco de um vilão da época da adolescência de Peter ("Skin Deep") e um arco interligado com os acontecimentos da revista Novos Vingadores, em que Peter, Mary Jane e Tia May se mudam para a Torre dos Vingadores.



E, para encerrar uma fase de extrema ruindade, vem a saga "O Outro" ("The Other"), que de tão ruim, mas tão ruim, não vale a pena nem entrar em detalhes.



Aproxima-se a Guerra Civil dos heróis Marvel e a qualidade das histórias começa novamente a subir ("Sr. Parker vai a Washington"). Peter se alia inicialmente a Tony Stark (o Homem de Ferro) e vê nele uma figura paterna disposto a ajudá-lo. Tony também desenvolve um novo uniforme para Peter, cujo design foi feito por Joe Quesada. O novo uniforme é cheio de tecnologia de ponta, o Homem-Aranha pode planar, enfim, um festival de inovação desnecessária.

As histórias diretamente ligadas à Guerra Civil voltam ao clima de outrora. São muito bem escritas e não só o fato da revelação da identidade secreta de Peter é desenvolvida como a mudança de lado do herói no desenrolar da série. Entra como desenhista regular Ron Garney, que desenha como nunca!



O arco seguinte é "A volta do uniforme negro" ("Back to Black"), também desenhado por Ron Garney. Também muito bem escrito, mostra o desespero de Peter ao ver sua Tia May no leito de um hospital, à beira da morte. As histórias paralelas dessa saga são em geral fracas, mas as escritas por J. Michael Straczynski são excelentes.

Destaque para o embate entre o Homem-Aranha e o Rei do Crime (o responsável por ter contratado o autor do disparo que atingiu Tia May). Curioso que o início da fase do Straczynski é recheado de humor, e essas histórias finais mostram um lado mais dramático na vida do herói. Parece que começar com bom humor e terminar com drama é um fato recorrente nos autores do Homem-Aranha.



Por fim, a famigerada saga "Um dia a mais" ("One More Day"). Há muito tempo, Joe Quesada já dizia em entrevistas que gostaria de ver Peter Parker descasado, uma vez que entendia que isso comprometia a qualidade de contar boas histórias do personagem. Ele literalmente preparou terreno para essa história na mídia especializada.

Ao mesmo tempo, já tinha sido anunciada uma mini-série que seria desenhada por ele e escrita por J. Michael Straczynski. Essa mini-série acabou entrando nos títulos regulares do Homem-Aranha e resultou em "Um dia a mais".



A história continua lidando com o fato da Tia May estar entre a vida e a morte. Após recorrer à ajuda financeira (Tony Stark) e ao ocultismo (Dr. Estranho) e não ter sorte nas suas empreitadas, Peter é contatado por Mephisto que lhe propõe salvar a vida de sua tia em troca do seu casamento.

Os diálogos de J. Michael Straczynski no decorrer da história continuam ótimos como sempre, mas a história (idéia) em si não tem muita lógica. Como o casal acaba aceitando o pacto com o demônio (que histórico, hein Aranha?), outras questões são alteradas em decorrência disso como a identidade secreta restaurada, os disparadores de teia e a volta de personagens como Harry Osborn. Sim, não tem lógica nenhuma, mas era o que já se tinha planejado para a fase seguinte do aracnídeo ("Band New Day"), já sem Straczynski.

Essa última saga ganhou imensa repercussão na internet na época do seu lançamento. J. Michael Straczynski disse que seu texto foi alterado e que sua participação efetiva nas partes 3 e 4 foram cada vez menores. Joe Quesada, por sua vez, aduziu que Straczynski entregou seus roteiros finais da forma como ele havia inicialmente planejado e já ciente do veto editorial, e, em decorrência disso, as alterações foram feitas.

Mas enfim, a história se encerrou e um novo ciclo de aventuras do Aranha se inicia a partir do mês que vem no Brasil. Sai J. Michael Straczynski e entra Dan Slott e cia.

Tirando o miolo, que realmente foi bem aquém daquele início promissor, a fase de J. Michael Straczynski, para mim, teve grandes momentos e acredito de seu demérito por parte de alguns leitores seja por causa de sagas horrendas como Pecados Pretéritos e O Outro. Para mim, o bom superou o ruim.

Aliás, curto muito o que J. Michael Straczynski escreve em geral e normalmente a expectativa que me causa à cada anúncio de seus novos projetos é de que será no mínimo muito bom. Vide a nova fase do Thor.

Uma última observação: J. Michael Straczynski não escreveu as edições 525 e 526 ligadas ao evento "O Outro". Nessa saga, cada um dos três escritores dos títulos do Aranha assumiam todas as revistas nos dois primeiros meses da saga.

Abraço a todos!

BAMF!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Surpreendentes X-Men 01-06: Superdotados.

"Superdotados"
(Astonishing X-Men 01-06, a partir de maio de 2004)

Roteiro: Joss Whedon
Desenhos: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Marvel Comics.

Em maio de 2004, depois de muita especulação sobre quem seria o sucessor de Grant Morrison à frente do título principal dos X-Men (New X-Men, na época), é lançada a primeira edição da revista Astonishing X-Men (no Brasil, Surpreendentes X-Men). Até aquele momento, os X-Men tinham se distanciado um pouco do gênero super-heróis, pois Grant Morrison os via como seres que deviam se preparar e se preocupar na sucessão dos humanos desprovidos do gene mutante. Dessa forma, os uniformes coloridos (colantes) tinham sido abandonados e o couro preto impregnou no visual da maioria dos integrantes da equipe.

Porém, como num ciclo que se renova de tempos em tempos, houve a imposição editorial de se retornar com os colantes e de se iniciar uma nova fase para os X-Men. Grant Morrison voltaria para a DC Comics, sua editora preferida, e um novo nome de peso haveria de o substituir. Foram meses de especulação até ser confirmado que Joss Whedon, criador da popular série Buffy - A Caça Vampiros, escreveria uma nova série dos X-Men. Juntamente com ele, colaboraria na arte John Cassaday, conhecido pelas séries Planetary (Wildstorm) e Capitão América (Marvel).

O evento que marcou o lançamento do título e desta nova fase foi chamado de X-Men Reload. Em nenhum local das revistas esse termo foi usado. Tratava-se, apenas, de uma campanha promocional para causar algum efeito no meio quadrinístico. Assim, enquanto Whedon e Cassaday cuidavam de Astonishing, o veterano Chris Claremont e seu antigo parceiro Alan Davis ficariam a cargo de Uncanny X-Men (o título clássico), e Chuck Austen e Salvador Larroca estariam a frente de X-Men. Ou seja, houve um aumento da quantidade de títulos "oficiais" dos X-Men, o que me causou um certo incômodo na época do anúncio.

Porém, com o passar do tempo, o lançamento de Astonishing X-Men foi se tornando cada vez mais esporádico, dado os outros compromissos de Joss Whedon no cinema. Assim, a revista, não obstante ostentar a maior qualidade em termos de roteiro e arte com relação aos demais, era a que mais sofria com atrasos e longa espera nos leitores pelos próximos capítulos.

A primeira parte de Superdotados mostra o cenário sendo montado por Whedon. É uma típica história de introdução do universo e personagens pelos quais Whedon vai trabalhar pelos próximos 24 números. Engraçado que, terminada a série há pouco tempo (maio de 2008), ao reler essas primeiras edições, vê-se que tudo foi planejado desde o início.

Vamos à história. A Dra. Kavita Rao, do Laboratório Benetech, anuncia a "cura" para o gene mutante. Como amostra, ela revela à imprensa o caso de uma garota que, com o poder de tornar real seus pesadelos, tirou a vida de seus pais e de um policial enquanto estava em transe. Assim, ao ser tratada como doença, a questão mutante desperta o interesse de muitos na busca dessa cura (inclusive do X-Man Fera).

No Instituto Xavier, Kitty Pride volta à equipe e seu retorno é pura nostalgia. Deveras, as lembranças da personagem remetem aos melhores momentos que os X-Men já tiveram, e é evidente de qual fonte Joss Whedon foi beber para criar suas histórias. Os X-Men decidem voltar aos colantes e agir como super-heróis (e não somente como defensores de mutantes iguais a eles).

Se tem uma coisa que pode ser enfatizada na escrita de Joss Whedon são os diálogos ácidos e precisos que ele imprime à cada personagem. A Emma Frost dele é um show de sarcasmo e ironia. Merecem destaque também o Fera, a já citada Kitty e Wolverine (este lembra um pouco a truculência de outrora). Há um mistério deixado pelo autor no sentido de Emma estar ou não manipulando Scott. A capa da segunda edição denota bem isso.

O arco também traz o retorno do personagem Colossus, muito querido pelos fãs. Morto gratuitamente na história que traz a cura do vírus legado há alguns anos atrás, o personagem ficou sem perspectiva de retorno devido à uma questão editorial de Joe Quesada que proibira ressurreições em sua gestão (questão hoje superada).

Tiranto o fato de que as ressurreições são bastante recorrentes no Universo Marvel, de modo a tornar as mortes cada vez menos impactantes ("Ele voltará em breve" - é a sensação que fica), o retorno do Colossus foi muito bem retratado graças à excepcional arte de John Cassaday. Claro, seguindo o roteiro dado por Whedon (que dava falsas pistas sobre quem voltaria). Foi uma combinação perfeita, uma ressurreição digna de nota.

Também neste arco nos é apresentado o primeiro antagonista da série, Ord. Ele é um alienígena que veio à Terra declarar guerra ao mundo pelo fato de que, de acordo com as "sombras do tempo", uma versão parecida com visões do futuro, prenunciam o fim daquele mundo (Grimamundo) por um mutante. É por esta razão que ele está por traz das pesquisas de "cura" dos mutantes, para que o fim de seu mundo não se concretize.

Aqui também é introduzida a Agente Brand da ESPADA, uma subdivisão da SHIELD, órgão ligado a questões alienígenas. Foi ela a responsável por fazer um acordo diplomático com Ord a fim de que este não iniciasse desde já a guerra ao planeta Terra. Ela será muito importante no desenvolver dos próximos arcos. Também entra em cena a adolescente Hisako (a Armadura), aluna do Instituto Xavier, que também terá alguma participação nos próximos arcos.

Ao final, com grande parte das pesquisas destruídas por Wolverine e Ord sendo capturado, os X-Men voltam ao Instituto, agora com Colossus. Emma dá novos sinais de que tem segundas intenção para com o grupo (mas seu amor por Ciclope é mostrado de forma evidente). Aliás, o clima de tensão entre Emma e Kitty é um dos grandes momentos de Superdotados (e de toda a série).

A arte de John Cassaday casou perfeitamente com o roteiro de Joss Whedon. Utilizando-se muitas vezes da "tela widescreen", a impressão que fica é que você está assistindo a um filme. Uma crítica recorrente que se faz a ele é a falta de cenários, o que, na minha opinião, não é um problema tão sério. As expressões faciais são ótimas e mostram bem o que os personagens estão sentindo nos momentos específicos. Os uniformes criados por ele também ficaram excelentes.

Apesar de ter sofrido com os atrasos, Astonishing X-Men foi se mostrando um clássico em pleno andamento, conforme iremos mostrar com as revisões dos próximos arcos no momento oportuno.

Abraço a todos!