quinta-feira, 13 de novembro de 2008

The Amazing Spider-Man 224-227: Duelo de Máscaras!

The Amazing Spider-Man 224-227.

Roteiro: Roger Stern
Desenhos: John Romita Jr.
Arte-final: vários
Marvel Comics.

E agora sim se inicia a fase de Roger Stern e John Romita Jr. na revista The Amazing Spider-Man. Nessas primeiras quatro histórias, veremos o confronto com o Abutre, o Matador de Idiotas e a volta da Gata Negra. Esta última história, em duas partes é, de longe, a melhor trama desse início.

A seguir, apresentarei um resumo sobre todas as quatro edições e deixo para tecer meus comentários ao final.

"Asas para a Eternidade" (The Amazing Spider-Man 224, janeiro de 1981).

Peter Parker fala ao telefone com sua Tia May e marca de jantar com ela e seu noivo, Nathan Lubensky, no sábado. Logo em seguida, põe seu uniforme de Homem-Aranha e sai para “esticar os músculos”. Seu sentido de aranha o alerta sobre algo acontecendo a alguns quarteirões dali e, assim, ele consegue evitar um assalto a Banco.

Enquanto isso, no Hospital Bellevue, Adrian Toomes (o Abutre), é levado para a sua primeira sessão de fisioterapia. O guarda que o acompanha ajuda a acabar com a auto-estima do vilão. Lá, ele conhece o noivo da Tia May, Nathan, e depois de uma conversa sobre o valor que se deve dar à vida, mesmo na terceira idade, Adrian decide voltar à ativa. Usando umas peças espalhadas pelo chão da sala de fisioterapia, ele constrói novas asas e volta a ser o Abutre.

No Clarim, após perder a revelação se suas fotos do assalto pela interrupção de John Jameson e do fotógrafo Bannon, Parker fica sabendo sobre o retorno do Abutre. E assim, se inicia uma série de crimes cometidos pelo vilão.

O Abutre se esconde no Asilo Lar Feliz, coincidentemente o mesmo em que Nathan e Tia May residem. Nathan o convida para uma sessão de pôquer e ele aceita, já com seus trajes civis. O Homem-Aranha desiste de procurar o Abutre e vai ao encontro marcado com a tia.

Lá, ao se aproximar de Adrian Toomes, seu sentido de Aranha dispara. Quando é apresentado por Nathan a ele, o Abutre supõe que foi reconhecido por Peter porque este trabalha como fotógrafo. Sob a ameaça de uma arma escondida, o vilão leva Peter até um aposento e o amarra.

Como se trata do Homem-Aranha, ele se liberta facilmente das cordas quando está só e assim inicia-se uma luta entre os dois. Depois de muitas cenas de ação, o Abutre usa Nathan como escudo humano mas, assim que descobre que é o seu mais recente amigo, o liberta e foge. Antes que a Tia May morra de preocupação, Peter ressurge e diz que foi capturado pelo Abutre. E assim, os três vão jantar.



"Loucura Assassina" (The Amazing Spider-Man 225, fevereiro de 1981).

Dois agentes do FBI estão à procura do Matador de Idiotas. Um deles mostra um cartão do Matador escrito: “O Matador de Idiotas. Você tem 24h de vida. Aproveite-as bem ou morra como um IDIOTA”. Hehehe... Os dois são mortos logo em seguida pelo vilão que inicialmente planejava matar todos os idiotas mundo, mas, como ele mesmo diz, como é uma tarefa impossível, ele mataria apenas os MAIORES idiotas. Tsc...

Já na Universidade Empira State, onde Peter Parker dá aulas como professor-assistente, ele conversa com o estudante Greg Salinger, que diz que a Secretaria da universidade não encontrou o documento necessário para que ele receba sua bolsa de estudos.

Na cena seguinte, o Matador vai atrás do escrivão da Universidade, Harvey McNamara. O Matador fica furioso ao saber que o escrivão não recebeu seu cartão (um igual àquele do início da história), e culpa os correios (ou seja, encontrou outro idiota, heheh...). O Homem-Aranha impede que o escrivão seja assassinado, persegue o Matador, mas este consegue fugir.

No seu esconderijo, o Matador surta e grita seus propósitos malignos: "Vou eliminar todos os idiotas da face da Terra!". Hehehe...

No Clarim, Peter descobre por Robbie Robertson sobre os objetivos do Matador e questiona o quão impreciso é o conceito de “idiota”.

Depois de uma busca sem resultados pelo vilão, Peter volta para a Universidade e se encontra novamente com Greg Salinger. Antes de se cruzarem, o sentido de aranha dispara, mas pára logo em seguida quando Greg vê Peter. Depois de dizer para Peter que havia mandado dois cartões e que um deles enviado à Universidade não havia chegado, Salinger fica sabendo sobre a inoperância do Departamento de Correspondências da universidade (aí estão os verdadeiros idiotas). Assim que se despedem, o sentido de Aranha volta a zumbir.

E assim, o Matador aparece no Departamento e começa a atirar nas pessoas. Logo, o Homem-Aranha aparece e depois de uma boa luta, uma moradora de rua diz ao Matator que só um idiota enfrentaria o Homem-Aranha. Nisso, o Matador concorda com a maltrapilha, surta novamente e decide se matar por se considerar um idiota de marca maior. Concordo com ele.

Previsivelmente, o Homem-Aranha arranca a máscara do vilão e a identidade do Matador é mesmo a de Greg Salinger. Greg é contido pelo Aranha e é levado a um hospital psiquiátrico... longe de idiotas!



"Duelo de Máscaras" (The Amazing Spider-Man 226, março de 1981).

A história se inicia no Hospital Mitchell State, local onde Greg Salinger, o Matador de Idiotas da história anterior, é levado. Nesse hospital psiquiátrico, encontramos Felícia Hardy, a Gata Negra, que também está internada.

Ela conta à enfermeira sua história como a Gata Negra e sua ligação com o Homem-Aranha. Logo em seguida, ela diz à enfermeira que se fez passar por louca porque seria mais fácil escapar de um hospital do que de uma prisão. Ela rende a enfermeira e foge.

A Tenente Jean Dewolff encontra com o Homem-Aranha na rua e o informa sobre a fuga da Gata Negra do hospital. Entrementes, a Gata Negra realiza um furto em uma residência luxuosa e rouba um quadro valioso de um chefão da organização Maggia, chamado Phil Bradshaw.

Depois de se sentir bastante carente em uma lavanderia, Felícia descobre um jeito de chamar a atenção do Homem-Aranha, ao ver um desenho num jornal. Ela contrata um avião para escrever uma mensagem no ar. Porém, Peter só descobre essa mensagem quando vê uma reportagem na TV, depois de uma aula na universidade.

Quando se encontram, o Homem-Aranha promete levar a Gata Negra à prisão. Mas esta diz que só rouba dos muito ricos e que seu último roubo era um quadro de um chefe da Maggia, uma organização mafiosa. O Homem-Aranha não concorda com os atos da Gata Negra e diz que se ela for realmente se redimir, ela deve se entregar às autoridades. Ela então escapa das mãos do aracnídeo e deixa um bilhete informando o herói sobre um baile promovido por Phil Bradshaw, e um tubo contendo o quadro roubado. A partir daí, o Aranha começa a se questionar sobre a regeneração da Gata Negra.

Jean Dewolff informa o Aranha de que o quadro deixado pela Gata Negra foi roubado há mais de um mês por Phil Bradshaw, mas o Homem-Aranha não revela como encontrou o quadro para poupar Felícia.

No baile, Felícia e o Aranha se encontram. Num determinado momento, Phil Bradshaw reconhece a Gata Negra e tenta capturá-la. A partir daí, inicia-se uma luta entre os capangas do chefe da Maggia com o Homem-Aranha e a Gata Negra. Quando tenta escapar, Phil Bradshaw é surpreendido com uma batida policial promovida pela Tenente Jean Dewolff.

Encima de um prédio, Peter não resiste e acaba cedendo aos encantos de Felícia e, assim, os dois se beijam.



“Beco sem saída” ( The Amazing Spider-Man 227, abril de 1981).

O Homem Aranha fica bastante chateado com a manchete do Clarim, que omitiu a presença da Gata Negra na história do baile da edição anterior. Ele rapidamente evita um assalto e vai até a Delegacia Central da cidade tirar satisfação com a Tenente Jean Dewolff, a fonte da matéria jornalística.

Ele tenta limpar a barra da Gata Negra mas a tenente, aparentemente, não se convence. Aparentemente, frise-se, como veremos ao final dessa história.

Peter se questiona sobre os seus casos amorosos e se dirige ao apartamento de Felícia. Lá eles discutem em razão de Felícia sugerir a formação de um “pecúlio” do casal (hehehe...) por meio de roubos. Peter se revolta mas Felícia diz que vai deixar a cobiça de lado.

Na universidade, Peter aparece com cara de apaixonado e, mesmo atrasado, faz todo o trabalho pendente em questão de poucos minutos. Ou seja, Peter é gente como a gente.

Enquanto isso, a Gata Negra não resiste à sua compulsão por roubar e inicia um furto à uma galeria de arte. Mas, do lado de fora, está o Homem-Aranha que descobriu onde ela estaria depois de ter passado no apartamento dela.

O dono da galeria (outro mafioso) aparece e inicia-se uma nova luta dos dois contra os capangas. Logo depois, a Gata Negra foge, mas o Aranha consegue alcançá-la. Quando ela tenta fugir em um barco nas docas, ela é envolvida pelas teias lançadas pelo aracnídeo. Por relutar em ir para a prisão, ela se joga no mar, dizendo prefere morrer do que isso. O Homem-Aranha passa um bom tempo procurando seu corpo, sem sucesso.

A tenente Jean Dewolff aparece no local e diz que conversou com o promotor do caso de Felícia e que havia conseguido liberdade condicional para ela. Mas por pensar que perdeu seu mais recente caso amoroso, o Aranha joga os papéis no mar e permanece em silêncio, desolado.


Essas quatro histórias iniciais de Roger Stern na revista do Aranha são bastante simples, mas muito divertidas. A história “Asas para a Eternidade”, com o Abutre, é um exemplo claro de como uma aventura poderia ser contada em apenas uma edição, com começo, meio e fim. Mesmo com poucas páginas para se trabalhar, presenciamos muita coisa acontecer, desde a fuga do vilão do hospital, até o confronto com o Aranha. Ficou tudo muito bem amarrado e histórias curtas (e divertidas) como essa é algo raro de se ver nos dias de hoje, com tramas de no mínimo seis partes para se formar futuramente um encadernado.

Mas Stern não está (ninguém está) imune a críticas. A história “Loucura Assassina”, com o Matador de Idiotas é muito... idiota. O objetivo do vilão é vago como o próprio Peter revela. Não quero dizer com isso que toda história tem que “mudar tudo” ou apresentar vilões clássicos. Claro que se deve buscar, sempre, criar novos personagens e desenvolver os já existentes, mas desde que tenham uma boa história ou objetivos plausíveis. Matar idiotas é muito sem sentido. No mais, serve para dar algumas risadas.

“Duelo de Máscaras” e “Beco sem saída” é a melhor trama até aqui, conforme já havia dito anteriormente. A Gata Negra é uma das personagens do universo do Homem-Aranha mais interessantes, na minha opinião. Pena que nem mesmo suas aparições recentes na revista despertam o mesmo interesse de histórias como essa. Seu caso amoroso com o Aranha é bem desenvolvido, e fica aquela questão do romance entre o herói e a vilã (ela se encaixa, em termos, nessa categoria). Fazendo uma comparação bastante grosseira, é algo semelhante ao que já ocorreu com o Batman e a Mulher-Gato.

Felícia sempre foi retratada como uma mulher geniosa, de personalidade forte, o que mereceu grande admiração por parte dos leitores. No futuro (notadamente na era do uniforme negro), ela ganharia ainda maior destaque nas histórias, por participar como a parceira e namorada do Homem-Aranha. Nos anos 90, ela se perderia no meio de muitas histórias ruins para, quem sabe, um dia voltar a ser tão interessante como antes.

O cineasta Kevin Smith bem que tentou trazer a magia da personagem de volta. Ele inicialmente escreveria a mini-série "Homem-Aranha & Gata Negra: o mal que os homens fazem" e, logo em seguida, escreveria a revista Amazing Spider-Man e uma nova mensal da Gata Negra. A mini-série atrasou por anos e tudo acabou terminando nela mesma, de modo que o que viria a seguir não passou do plano das idéias.

No que se refere aos desenhos, John Romita Jr. possuía um traço muito simples, com algumas expressões que lembram muito o estilo do seu pai. Particularmente, gosto do traço dele dessa fase antiga no Aranha (e também nos X-Men), mas seu estilo atual também me agrada bastante. Porém, acho que hoje seu estilo não combina com determinados tipos de personagens, como o Homem de Ferro (que ele também já ilustrou em duas diferentes épocas).

A seguir, nas próximas resenhas do Homem-Aranha, veremos o melhor confronto que o herói já teve contra o Fanático. Mas, antes disso, devo escrever sobre a origem deste vilão na série clássica dos X-Men.

Abraço a todos!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Os X-Men 11: O triunfo de Magneto!

"O triunfo de Magneto!"
(The X-Men 11, maio de 1965)

Roteiro: Stan Lee
Desenhos: Jack Kirby
Arte-final: Chic Stone
Marvel Comics.

Os X-Men atendem ao chamado do alarme de emergência acionado por Ciclope. Eles tentam ver um suposto mutante dectectado pela mais nova geringonça de Xavier: o novo Radar Visualizador. Porém, o nível de energia desse ser misterioso é tão grande que eles não conseguem identificá-lo. O radar deve ter custado uma nota e já estréia falhando. Morrendo de medo desse suposto mutante se aliar a Magneto, os X-Men decidem procurá-lo, não sem antes Bobby e Hank terem mais um momento de disputa um com o outro.

Enquanto isso, longe dali, um homem estranho(!) aluga um quarto em um hotel da cidade. A dona do hotel pede o tutu adiantado, e o Estranho indaga: "Tutu?". Hehehe... Hilário! Depois de saber que "tutu" significa dinheiro, ele é deixado em paz e decide caminhar pela cidade. O Estranho começa a flutuar para evitar o fluxo de pessoas, o que acaba chamando muito a atenção das pessoas. Ele tenta se esconder e se sente atraído a um prédio que o leva diretamente a Magneto e sua Irmandade de Mutantes. Tava demorando... Magneto diz que estava à sua espera.

Entrementes, os X-Men iniciam a busca pelo Estranho na cidade. Ciclope aborda dois policiais indagando acerca do Estranho e isso leva os policiais a suspeitarem de Scott por usar óculos escuros em um dia nublado. Eles tentam tirar os óculos à força (incrível como todos tentam fazer isso com o coitado) e acabam conseguindo, mas isso faz com que as rajadas ópticas sejam disparadas. Antes que algo mais grave aconteça, o Fera salva seu amigo e os dois vão ao encontro do Homem de Gelo.

No milésimo esconderijo de Magneto, o Estranho indaga o vilão sobre os motivos pelos quais ele está sendo contatado. Magneto, todo arrogante, diz que o Estranho deve se juntar à sua Irmandade e obedecê-lo, e, talvez para impressioná-lo, faz uma demonstração de seu poder. Logo em seguida, o Mestre Mental faz o mesmo. O Estranho pára a brincadeira dos dois e transforma o Mestre Mental em um bloco sólido.

Os X-Men ouvem todo o furdúncio e vão em direção ao prédio. Lá inicia-se uma nova luta entre os X-Men e a Irmandade de Mutantes. O Estranho, Magneto e Groxo saem de cena em um cone de energia criado pelo primeiro. Enquanto o Homem de Gelo congela Mercúrio, a Feiticeira Escarlate joga o teto do andar encima do Fera, mas este usa seus dons acrobáticos para rodopiar o teto(!!!) como se fosse uma bola de circo.

Muito enciumada, Jean ataca a Feiticeira Escarlate mas esta diz que seus dias na Irmandade acabaram. Ciclope liberta Mercúrio e os dois vão embora, impunes, porém decididos a não cometer mais crimes. Eles recusam o convite de se jutarem aos X-Men e partem para a Europa.

Em uma mata deserta, o Estranho aciona a "dissolução", deixando ele, Magneto e Groxo de volta ao plano terreno. Magneto volta com seu discurso arrogante e Estranho fica irritado e cobre ele e Groxo com uma "película antimagnética".

Enquanto isso, na base dos X-Men, Xavier detecta vida no corpo solidificado do Mestre Mental, porém diz que suas moléculas foram modificadas por Estranho. No X-Licóptero (hehehe, brincadeira, não existe esse nome), eles vão atrás de Estranho que revela que veio das Estrelas e que seu povo possui interesse em mutações. Ele diz que veio coletar espécimes mutantes para seus estudos e assim leva Magneto e Groxo com ele para o espaço e promete que eles jamais voltarão. Uma baita mentira, como veremos em breve.

Guardas aparecem e os X-Men fogem no helicóptero, enquanto um Fera saltitante hipnotiza os policiais com seus saltos. Na Mansão X, Xavier tira os adesivos de Magneto, Groxo e Mestre Mental de Cérebro por estes não representarem mais ameaças mas, logo em seguida, Cérebro começa a piscar como nunca por ter detectado uma nova ameaça... "o perigo mais grave e mortal" que os X-Men já encararam... que será revelado na próxima edição como o Fanático! "Nunca vi um mero equipamento eletrônico acusar uma condição tão aguda de pânico". Que legal, uma máquina que sente pânico. Mas o Fanático não é mutante, então como o "detector de mutantes" detectou a "ameaça" do Fanático?!? O Cérebro, mesmo em pânico (hehehe...), detecta ameaças ou mutantes no final das contas? Enfim, sintam o desespero da pobre máquina no final desta resenha.

Eu confesso que estou gostando cada vez mais dessas aventuras antigas. O título dessa edição é bastante irônico, porque realmente Magneto é o primeiro a contatar o Estranho, antes de Xavier e seus pupilos (e se dá mal!). Tem muita coisa sem noção que acontece nas histórias, alguns absurdos que chegam a ser motivos de boas risadas. O padrão dessa história segue o mesmo das anteriores, ainda mais levando em conta que a Irmandade de Mutantes reaparece.

O Estranho é outro tipo de personagem que não tem nada a ver com o universo dos X-Men. A descrição sobre o que ele é dada de forma muito vaga nesta história. Em Fantastic Four 116, descobrimos que ele é um ser cósmico formado pela fusão de todos os habitantes do planeta Gigantus. Já em Quasar 16, nos é dito que o Estranho é um vivisseccionista cósmico com conexões com o Tribunal Vivo. Uma terceira explicação sobre sua origem ocorre na mini-série X-Men Eternamente (de Fabian Nicieza e Kevin Maguire), publicada aqui nas primeiras edições da revista X-Men Extra (para terem uma idéia da "conexão" entre o Estranho e os X-Men, eles só voltariam a se encontram nesta mini-série de 2001). Nela, é revelado que o Estranho tem como objetivo formar um novo universo, e, para isso, ele procura acelerar a evolução da humanidade. Assim, ele ocupará o lugar de Galactus no novo universo a ser criado. Quanta confusão desnecessária...

Esta é a última edição efetivamente desenhada por Jack Kirby, o que é uma pena pois aprecio cada vez mais o traço simples e prático dele. Até a edição 17, ele fará apenas os esboços das histórias.

Abraço a todos!

Primeira aparição: Estranho.

Wolverine: Arma X (por Barry Windsor-Smith).

"Arma X"
(Marvel Comics Presents 72-84, entre fevereiro e agosto de 1991)

Argumento e Desenhos: Barry Windsor-Smith
Marvel Comics.

A história começa com Logan fazendo planos para ir até Yukon, enquanto um novo personagem que será chamado apenas de Professor contrata um médico chamado Dr. Cornellius, fugitivo do FBI por ter realizado procedimentos ilegais, e Carol Hines, uma funcionária da NASA, a fim de desenvolver o Experimento X, um programa que seria desenvolvido no Canadá.

No caminho até Yukon, Logan para em um bar para tomar alguns drinks e, quando volta ao seu carro (um Lotus 7), é emboscado por três agentes do Experimento X. Depois de uma luta intensa tentando resistir ao ataque, Logan recebe uma dose cavalar de sedativos e finalmente é contido e levado pelos agentes até o laboratório onde seria realizado o programa.



Transportado até as instalações do programa Experimento X, Logan é raspado da cabeça aos pés, ligado a tubos e dispositivos médicos e é submerso em um líquido medicinal. Assim, utilizando-se de tubos de alimentação, o Dr. Cornellius inicia a execução do projeto de implante do metal chamado adamantium nos ossos de Logan.



Carol Hines observa que, em menos de 20 minutos, os cabelos de Logan voltaram a crescer e que todas as escoriações que ele sofreu durante o seu seqüestro já haviam sido cicatrizadas. O Dr. Cornellius conclui então que Logan é um mutante com fator de cura, o que leva à implantação de mais adamantium do que o que foi inicialmente planejado.

Executado assim o implante do metal, o Professor se dirige a uma sala vazia e contata seus superiores, reclamando dos motivos pelos quais não tinha sido informado de que Logan era um mutante com poderes regenerativos. Enquanto isso, três garras de metal retráteis nascem das mãos de Logan. Sob o comando do Professor, um agente vai ao local verificar o que aconteceu e acaba sendo morto em segundos pelas garras de Logan, ao som de um “Magnífico” do Professor.



Após a morte do jovem agente, Logan atravessa a janela que liga ao laboratório onde os principais executores do Experimento X estão (Dr. Cornellius e outros), mas perde os suportes de vida e cai desfalecido. Após o choque, o Professor explica ao Dr. Cornellius sobre os mutantes e da verdadeira natureza de Logan:

“Entenda... essa “coisa infernal” é o que Logan sempre foi... um indivíduo extremamente violento... abrindo caminho à força por sua vida sem sentido... diferenciando um dia do seguinte pelos padrões mutáveis dos hematomas das brigas embriagadas da noite anterior. Mas inexplicavelmente, os ferimentos se curavam e sumiam antes do meio-dia e de sua primeira cerveja. Duvido que ele já tenha tido ressacas. Logan suportou isso todos esses anos... padecendo de um destino que emanava de suas entranhas... enfrentando uma sina decretada pela natureza! (...) Mas, agora, seu demônio está livre... liberado pelo Experimento X. Assim... o duplo id é suplantado pelo superego e todos os instintos primais de Logan estão focados e resolvidos. E o que você vê neste momento, Doutor... é a mais formidável arma tática jamais concebida.”


Como conseqüência dos implantes de adamantium, os instintos de Logan ficam cada vez mais bestiais. Assim, o Dr. Cornellius constrói uma máquina de audio-visual capaz de controlar as ações de Logan por meio de comandos vocais dados por um microfone.



O Professor testa o novo sistema e este tem uma sobrecarga, e assim, com a inversão do fluxo de informações, imagens das alucinações de Logan aparecem na tela dos executores do projeto, enquanto Logan grita como um animal irracional. Logan joga Carol Hines e sai em direção ao Professor. Assim que é contido por guardas do laboratório que usam tranqüilizantes, o Professor se queixa sobre os riscos desse programa. Na tela do laboratório, aparece uma imagem do subconsciente de Logan: o Professor morto pelas suas garras.

Mais precavidos dessa vez, os executores do Experimento X iniciam outro teste, num campo nevado do Canadá. Logan é colocado em confronto com três lobos. Inicialmente, todos pensam que ele será morto porque não reage aos ataques. Mas passado algum tempo, todos os lobos são feitos em pedaços. O Professor determina que Logan durma sob a neve e diz que ainda tem mais muitos projetos para a Arma X.

Os testes continuam, e agora Logan é submetido a mais procedimentos a fim de que eles tenham o completo controle sobre seus atos. Agora, ele pode ser “desligado” por meio dos comandos da fonte de alimentação. O Dr. Cornellius diz ao Professor: “Quando tudo está ligado... Logan é seu... Quando está desligado, como agora... é um pedaço de carne morta. Queria isso... é o que tem”. Como um teste para ver a veracidade do que o Dr. Cornellius acabou de dizer, o Professor joga seu café no rosto de Logan, sem que este tenha qualquer tipo de reação.

Avançando no procedimento, o Professor e o Dr. Cornellius agora criam uma realidade virtual para testar as reações de Logan em situações extremas. Além de toda a parafernália de implantes e fiações, agora Logan também usa um capacete de realidade virtual. Logan confronta um enorme urso e o mata em questão de momentos. Ao ser devolvido à sua cela, Logan mata o vigilante e escapa em direção ao laboratório.

Os misteriosos superiores do Professor assumem o controle da Arma X e fazem com que Logan vá atrás dele. No caminho, Logan mata uma meia dúzia de guardas, e utilizando-se do seu olfato aguçado, consegue rastrear o Professor e invade o local onde ele está. Logan abre um buraco no chão e logo em seguida corta uma das mãos do Professor.

Vinte guardas entram na sala, dando tempo do Professor escapar pelo corredor. Carol Hines e o Dr. Cornellius ajudam como podem nos ferimentos do Professor, enquanto a Arma X massacra os guardas.



O Professor, Dr. Cornellius e Carol Hines fogem em pânico e se trancam no reator de adamantium à espera de Logan. O Professor tenta contatar seus superiores para buscar ajuda, enquanto o Dr. Cornellius se arma com um rifle. Ambos são surpreendidos por Logan, que aparece coberto de sangue, atravessando as paredes e com suas garras prontas para atacar.

Logan avança para atacar e, com um empurrão do Professor, o Dr. Cornellius atira várias vezes com sua arma, o ferindo. Ao se aproximar dele, Logan ataca o Dr. Cornellius e desfere um golpe mortal com suas garras.

O Professor e Carol Hines fogem para o reator. O Professor planeja então matar Logan abrindo as comportas de fissão do reator mas, para isso, Logan deve estar no centro do fosso de exaustão. Assim, ele usa Carol Hines como isca, empurrando-a impiedosamente para o local indicado. Logan aparece no reator e sai em direção a ela. Mas, ao contrário do que se pensava, ele não a mata. Está atrás apenas do Professor, já que este também representou uma ameaça para ele.

O Professor abre as comportas de fissão, e ambos tentam escapar das queimaduras. Mesmo muito ferido, Logan vai até a sala onde se encontra o Professor, e com o pouco de sanidade que lhe resta, diz a ele que é um homem, o que, na minha opinião, é a cena mais tocante de toda a saga. Logan então decepa a outra mão do Professor e, logo depois, crava suas garras em seu crânio. Ele carrega o cadáver do Professor e o joga no centro do fosso de exaustão, já em chamas.

Logan desfalece novamente. Quando acorda, encontra a mão decepada do Professor e o corpo do Dr. Cornellius. Quando começa a perceber que foi o responsável por toda essa chacina, ele começa a perder novamente sua sanidade. Logan sai do laboratório e encontra-se frente a frente com um tigre siberiano. Os dois lutam ferozmente e Logan sai mais uma vez vitorioso.

Logo em seguida, dois homens aparecem para levá-lo de volta à sua cela. A partir daí descobrimos que desde que ele começou a usar o capacete de realidade virtual, tudo o que ocorreu posteriormente foi parte de um teste elaborado pelo programa Experimento X. Assim, o Professor, Dr. Cornellius e Carol Hines não foram mortos, como foi mostrado nos capítulos passados. O Professor e Dr. Cornellius se parabenizam pelo sucesso do teste, mas logo em seguida descobrem que os dois guardas que levariam Logan à sua cela foram mortos pelo Arma X. De repente, a porta onde eles estão se rompe e Logan aparece frente à frente dos três.

No epílogo, Logan aparece completamente nu andando no inverno de uma selva canadense, enquanto que, na caixa de texto, o Dr. Cornellius e Carol Hines lamentam-se por ter se envolvido no programa.




Conforme consta nos créditos, a saga Arma X foi publicada originalmente na revista Marvel Comics Presents, das edições 72 a 84, no ano de 1991, sendo escrita e desenhada por Barry Windsor-Smith. Nessa época, conta ele, Chris Claremont, escritor de longa data dos X-Men, já tinha em mente uma idéia sobre quem seria o responsável por tornar Wolverine o que ele é (um mutante com garras e esqueleto revestido de adamantium). Barry Smith relata que Claremont se sentiu chateado por ter sido privado disso, mas ressalva que no seu projeto ele não deixou claro quem está por trás de todo o programa Experimento X. Disse o renomado autor:

“Nós nunca chegamos a ver quem é o principal responsável desta série. Existe uma outra autoridade por trás deste trabalho. Ela nunca é vista, você não ouve falar dela. Eu nunca explico quem ela é. Lá estão pistas quanto ao que poderia ser.” (em “Secrets of Weapon X", Comics Scene n. 18)

Isso deve ter amenizado, em parte, a chateação de Claremont. Aliás, Barry Windor-Smith já colaborou com Chris Claremont em algumas edições da revista Uncanny X-Men, normalmente como artista convidado, quando os desenhistas oficiais da revista tiravam algum tempo de descanso (ou corriam para cobrir os prazos, algo raro naquela época).



A saga Arma X é uma trama que julgo densa e, sem querer parecer forçado, bastante adulta, ao compararmos com o nível das histórias que eram publicadas naquela época dentro do gênero super-heróis. A impressão que eu tive é que se parece como um filme de suspense/terror, sem mocinhos, em que o experimento sai fora de controle e, a partir daí, se instaura o caos ao longo da projeção. Nesta saga, algo semelhante acontece, e para aqueles que sentem algum carisma por Wolverine, provavelmente ficaram comovidos pela forma com que ele foi tratado.

À primeira vista, parece um pouco difícil acompanhar o desenvolvimento da história, já que Barry Windsor-Smith mistura quadros alternando presente e futuro, com diálogos em forma de recordatórios, mas, sob um olhar mais apurado, tudo é elaborado de forma bastante coerente e coesa.

Os desenhos estão muito bons e condizem perfeitamente com o clima da história. Particularmente, gosto muito da arte de Barry Smith, com um estilo próprio que, no entanto, pode desagradar algumas pessoas.



Os mistérios ou tramas que ficam em aberto também abrem brechas para mais histórias. No meu ponto de vista, deveria permanecer assim, porque não é raro que autores medíocres tentando o sucesso, resolvam mexer em obras clássicas, a fim de deixar seus nomes marcados na "história" e, não raras, acabam arruinando excelentes tramas do passado.

Assim, fica aqui o meu registro sobre a desnecessidade de mexer nesta obra, que, obviamente, não foi o que aconteceu posteriormente, já que inúmeras outras histórias do velho canadense revisitaram o conceito.

Abraço a todos!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

The Amazing Spider-Man 206: No abismo da loucura!

"No Abismo da Loucura"
(The Amazing Spider-Man 206, julho de 1980)

Roteiro: Roger Stern
Desenhos: John Byrne
Arte-final: Gene Day
Marvel Comics.

A partir daqui, começo a escrever sobre uma das fases mais notórias que o Homem-Aranha já teve. Trata-se da fase escrita pelo outrora editor Roger Stern, com desenhos de John Romita Jr. Mas antes de começar sua temporada no título, Stern havia escrito a edição 206 da revista Amazing Spider-Man com desenhos de seu colaborador e amigo John Byrne. Portanto, comecemos por ela para que não fique faltando esta primeira edição escrita por ele.

A história começa abordando o colapso nervoso de John Jameson, nessa época, ex-editor do Clarim Diário. Graças ao Projetor de Raios Mentais do Dr. Jonas Harrow (criador dos vilões Cabeça de Martelo, Canguru e Fogo Fátuo), o estado mental de Jameson foi se deteriorando ao ponto de causar a sua demissão do Clarim e afastamento de seus amigos. Nesse momento, ele se encontra capturado por Harrow que, almejando levar os homens à loucura e derrotar diretamente o Homem-Aranha, projeta seu maquinário para o Clarim Diário.

Peter Parker aparece para fazer uma visita ao seu antigo emprego (nessa época ele fotografava para o Globo Diário), quando todos os empregados do Clarim começam a agir de modo estranho por conta do projetor. Até mesmo Peter perde o controle sobre seu estado mental, mas ainda assim consegue fazer com que as pessoas saiam do prédio. Com seu sentido de aranha, ele localiza e destrói o projetor e, logo em seguida, é contatado por Jonas Harrow, que se apresenta e o chama para o combate.

Após o confronto indireto entre o Homem-Aranha e o Dr. Harrow, John Jameson é salvo mas culpa o Homem-Aranha por quase ter sido morto por um tiro desviado por este. E assim, as coisas permanecem como antes, com Jameson odiando o Homem-Aranha mais do que nunca.

Os desenhos de John Byrne estão muito bons. Aliás, na minha opinião, nos anos 80, Byrne reinou absoluto, sendo meu desenhista preferido deste período, por mais que existissem outros nomes por quem eu aprecie muito o trabalho realizado, como Arthur Adams e Frank Miller. Mas, para mim, Byrne tinha um storytelling perfeito e um estilo que casava perfeitamente com a "casa das idéias". Nessa época, também, Byrne não economizava esforços para caprichar, o que mostra uma visível diferente entre os desenhos dele de outrora com os atuais que ele produz.

Enfim, trata-se de uma história simples, divertida e bem desenhada que, ao contrário dos dias de hoje, começa e termina na mesma edição (salvo raras exceções).

Depois dessa edição 206, Roger Stern voltaria na 224 da revista Amazing Spider-Man, iniciando a sua fase com o retorno do Abutre, e já com a colaboração de John Romita Jr. nos desenhos. Uma fase memorável que será relembrada nesse mês de novembro.

Abraço a todos!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Wolverine (v.3) 50-55: Evolução.

“Evolução”
(Wolverine v.3 50-55, a partir de janeiro de 2007)

Roteiro: Jeph Loeb
Desenhos: Simone Bianchi
Arte-final: Simone Bianchi e Andrea Silvestri
Marvel Comics.

Quando Jeph Loeb declarou que assumiria os roteiros da revista regular do Wolverine, duas conclusões já se poderiam chegar antes mesmo da revista ser lançada: a revista venderia muito e a história tinha tudo para ser ruim. E foi exatamente isso o que aconteceu.

Jeph Loeb é um escritor muito prestigiado no mercado quadrinístico norte-americano, e também atuou como produtor executivo de seriados televisivos como Smallville, Lost e Heroes (deste último, foi despedido no último domingo). Normalmente ele trabalha apenas com desenhistas populares como, por exemplo, Jim Lee, Tim Sale, Michael Turner e, no presente caso, Simone Bianchi, e costuma assumir diversos encargos ao mesmo tempo (alguns desenhistas famosos pelos atrasos falam que ficam à espera dos roteiros dele, como já declarou J. Scott Campbell sobre um talvez já morto projeto com o Homem-Aranha).

O título Wolverine (volume 3), por sua vez, desde a entrada de Mark Millar, se tornou um emaranhado de mini-séries contidas dentro dele. Assim, Daniel Way contou o seu “Origens e Destinos” e partiu logo em seguida pra revista Wolverine Origins; Loeb criou o seu arco “Evolução”; Marc Guggenhein escreveu “Logan Dies” e isso continua corriqueiro até hoje com Mark Millar de volta para um único arco, “Old Man Logan”. Os fãs do personagem reclamam da falta de planejamento a longo prazo para o título, algo que, na minha opinião, é plenamente justificável.




Evolução é uma história sem pé nem cabeça, que o leitor não gasta muito mais do que cinco minutos em cada uma das suas seis partes. Mistura um emaranhado de personagens do Universo Marvel, com aquele ar de participações especiais à cada edição.

A premissa trata de uma espécie humana derivada dos lupinos: o lupus sapiens, nas palavras de Tempestade. Uma teoria “interessantíssima”, como ela mesmo tenta induzir o leitor. Assim, Wolverine passa as seis edições divagando no meio de sonhos em que ele vê essas espécies de lupinos lutando e sempre um deles sai vitorioso com relação ao outro (os desenhos deixam um pouco claro a semelhança entre o lupino vencedor com Logan e o perdedor com Dentes de Sabre).

Por não concordar com a presença de Victor Creed (Dentes de Sabre) na Mansão X, Logan o chama para a briga e, combinado com vários flashbacks, os dois passam todo o arco lutando um contra o outro. A “trama” posteriormente revela que tudo não passou de uma armação de Romulus, um personagem misterioso (no mau sentido) responsável pela teoria conspiratória interminável que o escritor Daniel Way desenvolve em Wolverine Origins.

Assim, depois de muito lutar (seis edições é um exagero), os dois finalmente tem sua enésima batalha final. Para dar um ar de definitividade nesse confronto, Creed literalmente perde a cabeça. Todos os mistérios acerca de Romulus ficam em aberto, ou seja, há muitas cenas de ação e nenhuma resolução: Loeb puro (com um roteiro desses, não é à toa que ele consegue tocar diversos projetos concomitantemente).




Além disso, a fim de justificar a probabilidade dessa raça “interessantíssima” ter existido, Loeb reúne todos os mutantes que lembram ou derivam de lobos, como Feral, Lupina e outros. Definitivamente, não convence.

Enfim, trata-se de uma sucessão de confrontos entre Wolverine e Dentes de Sabre sem que realmente nada se conclua, a não ser, é claro, a morte do vilão. Não foi a primeira vez que ele morre e duvido que seja a última.

Simone Bianchi tem um traço interessante, mas acredito que seu estilo seja melhor adequado para outro tipo do gênero quadrinístico. Hoje, ele é responsável pelos desenhos do segundo estágio de Surpreendentes X-Men, e a inevitável comparação com o seu antecessor, John Cassaday, o tem levado a ser alvo de muitas críticas (como, por exemplo, ao ter criado um péssimo uniforme “rainha de escola de samba” para a Tempestade).

Não obstante ser muito ruim, a revista vendeu bem. Quem sabe no futuro não haverá uma continuação? Esperemos que não.

Abraço a todos!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Os Poderosos Vingadores 01-06.

"Os Poderosos Vingadores"
(The Mighty Avengers 01-06, a partir de maio de 2007)

Roteiro: Brian Michael Bendis
Desenhos: Frank Cho
Cores: Jason Keith
Marvel Comics.

Conforme eu havia dito na resenha sobre a saga Vingadores: A Queda, os Vingadores foram se tornando a partir dali, gradativamente, a nova franquia mais rentável da Marvel. Após o sucesso do lançamento de Novos Vingadores e a eclosão da Guerra Civil, um título para os Vingadores seria pouco perto da demanda. Assim, a Marvel lançou "Os Poderosos Vingadores", com o mesmo Brian Bendis no comando. Para os desenhos, foi selecionado Frank Cho, que ainda teve o prestígio de dar pitaco nos roteiro, dizendo sobre o que gostaria de desenhar.

Ocorre que, mais uma vez, aquele mal que todos os leitores atuais conhecem voltou a ocorrer: os atrasos. Era a primeira vez que Frank Cho desenhava uma revista de equipe e à medida em que os prazos foram ficando cada vez mais apertados, digo, estourados, ele pediu pra sair. E assim, essas seis primeiras edições da "revista do Cho" (palavras de Bendis em uma entrevista) foram as únicas desenhadas por ele. Frank Cho afirmou que nunca mais se comprometeria em uma revista mensal e que faria arcos fechados e especiais a partir de então. Disse também que está louco para trabalhar com Jeph Loeb, muito provavelmente em um novo volume dos Ultimates (título esse já estragado por Loeb).

Os Poderosos Vingadores é o título dos heróis que se intitulam assim (já que há outra equipe usando este nome) que estão registrados após a Guerra Civil. Assim, enquanto Bendis trabalha com os renegados em Novos Vingadores, aqui todos os heróis estão sob a supervisão da SHIELD. Tony Stark pede para que Carol Danvers, a Miss Marvel, lidere uma nova equipe de Vingadores e, junto com ela, seleciona os demais membros da nova equipe: Viúva Negra, Magnum, Sentinela, Ares e Vespa.

Assim que são reunidos para deter uma invasão de monstros vindos do subterrâneo, que atacam Nova York por ordens do Toupeira, o clima mundial começa a se alterar e desastres naturais começam a acontecer nos mais variados lugares. Na luta contra os monstros do Toupeira, Tony recebe uma sobrecarga de energia e é remoldado em um corpo idêntico à da Vespa. Esse corpo responde pelo nome de Ultron, agora assumindo uma forma mais avançada.

O arco prossegue com os Vingadores procurando um meio de deter Ultron. Para isso, contam com a ajuda de Henry Pym e uma antiga versão da armadura do Homem de Ferro. Ultron anuncia para o mundo o juízo final.

Ares bola um plano de invadir o corpo de Ultron como um vírus e Pym o acolhe. Enquanto isso, o Sentinela e Ultron trava uma batalha em que o herói esquizofrênico é levado a crer que sua mulher foi assassinada. Assim, ele fica completamente descontrolado.

O plano do vírus dá certo e Ultron é derrotada, não sem antes dar um último sinal de vida em um monitor de computador ao final da história. Tony volta ao normal e, na enfermaria, é contatado pela Mulher-Aranha segurando o corpo de um skrull que se fazia passar por Elektra (evento ligado ao arco correlato que se passou na revista Os Novos Vingadores e que levará à saga Invasão Secreta).




Brian Bendis tem a fama de enrolar ou estender demais uma história com diálogos longos e, não poucas vezes, redundantes. Os seus defensores dizem que isso torna a história ou as caracterizações mais realistas, mas é inegável que muitas de suas histórias poderiam ocupar metade das edições solicitadas. Na minha opinião, gosto muito do autor e acho algumas críticas a ele injustas e exageradas. E ponto para ele ao reintroduzir de forma inovadora os balões de pensamento que rendem momentos hilários (há quem se incomode com esse recurso).

Não obstante algumas críticas, nesse primeiro arco de Poderosos Vingadores não senti muita enrolação por parte do Bendis. Acho que ele conseguiu contar uma boa história inicial, apresentando toda a equipe, com cada um dos seus integrantes tendo os seus momentos de destaque. As cenas da infecção do vírus por Ares é, sem sombra de dúvidas, a melhor de todas e, os diálogos de tensão dos tripulantes do Aeroporta-aviões da SHIELD intercalados com a detecção do vírus ficaram sensacionais!




A arte de Frank Cho é excelente. Lendo toda a história de uma tacada só, se torna uma leitura muito agradável. Cho dá especial atenção nas mulheres, mas todos os quadros são limpos e fáceis de se acompanhar (muito diferente de Leinil Francis Yu em Novos Vingadores). Pena que não conseguiu cumprir os prazos e se foi.

Comparando as duas revistas dos Vingadores escrita por Bendis (há uma terceira escrita por Dan Slott, Vingadores: A Iniciativa), e considerando só o que veio após a Guerra Civil, na minha opinião, Os Poderosos Vingadores é muito superior ao "nada" que acontece no seu título irmão.

Abraço a todos!

Mulher-Maravilha (v.3) 01-04/A01: Quem é a Mulher Maravilha?

"Quem é a Mulher Maravilha?"
(Wonder Woman v.3 01-04 e Wonder Woman Annual 01, a partir de agosto de 2006)

Roteiro: Alan Heinberg
Desenhos: Terry Dodson
Arte-final: Rachel Dodson
DC Comics.

Assim que se encerrou a saga Crise Infinita, a DC Comics preparou terreno para o lançamento da série da Mulher Maravilha. A revista vinha ganhando rasgados elogios das histórias escritas por Greg Rucka, porém as vendas pareciam não estar de acordo com a qualidade mencionada.

Assim, decidiu-se pelo relançamento e uma nova equipe criativa foi contratada. Deixo a ressalva de que não li a fase do Rucka e nem sei ao certo sobre os motivos que o fizeram sair (ou querer sair) da revista, mas de todo modo coube a Alan Heinberg a tarefa de assumir como novo escritor e Terry Dodson, juntamente com sua esposa Rachel Dodson, a arte.

Ocorre que um certo receio se abateu logo que foi anunciado quem seria o escritor. Alan Heinberg já havia se tornado famoso por ter criado o título Jovens Vingadores para a Marvel, só que como também tem compromissos como produtor executivo e roteirista da série televisiva Grey's Anatomy, o título dos vingadores mirins sofreu tantos atrasos que decidiram descontinuá-lo até que o roteirista pudesse voltar a cumprir com os prazos (fato esse que não se verificou até hoje).

E assim, como um investidor que gosta de arriscar em prol de um lucro maior, a DC bancou Heinberg como roteirista da Mulher Maravilha confiando no cumprimento dos prazos. E se deu mal... A revista atrasou muito e, para que os leitores não ficassem sem ter histórias da personagem, a conclusão do primeiro arco ficou para a revista anual (foi a estratégia encontrada para que a série regular, que deveria ser mensal, pudesse continuar a ser publicada). Heinberg ficou só no primeiro arco e, desde então, está focado apenas no seu trabalho mais rentável (a série de TV, claro).

A história “Quem é a Mulher Maravilha?” é uma típica introdução ao universo da personagem, com alguns novos elementos. É recheada de ação e a trama é bastante simples, com uma ou outra reviravolta no seu desenvolvimento.

A trama se inicia com Donna Troy assumindo o manto de Mulher Maravilha logo após Diana ter abandonado o posto depois de tirar a vida de Maxwell Lord (não me perguntem onde, mas provavelmente tem a ver com a Crise Infinita). Steve Trevor foi seqüestrado pela Mulher Leopardo (Dra. Barbara Minerva), Giganta (Dra. Doris Zeul) e Dr. Psycho (Dr. Edgar Cizko), em troca da presença da Mulher Maravilha. Assim que chega ao local, Donna Troy luta contra os vilões e acaba sendo capturada (eles querem na verdade, Diana).

Entra em cena o Departamento de Assuntos Meta-humanos, comandado pelo Sargento Steel que nomeia Nêmesis para se encarregar do caso. Mas para isso, ele terá que contar com a ajuda de uma nova parceira: Diana Prince. Impossível não descobrir quem ela é com um nome desses.



Diana Prince é uma identidade criada por Batman e Superman para que Diana pudesse continuar na ativa sem assumir o manto de Mulher Maravilha. Ela aceita a proposta dos dois.

E assim a história vai se desenvolvendo, contando com a presença de diversos personagens do universo DC, notadamente as relacionadas com o microverso da Mulher Maravilha:Donna Troy e Moça Maravilha (Cassandra).

Os vilões seguem destruindo boa parte da cidade chamando pela “verdadeira” Mulher Maravilha e, antes que Diana possa assumir novamente esse manto, surge Hércules, o Moço Maravilha (hehehe... brincadeira).

A história só começa a ter alguma relevância quando surge Circe. Ela lança um feitiço em Diana e em Hércules e rouba os poderes dos dois. Assumindo-se como nova Mulher Maravilha, ela prioriza suas ações no combate ao tráfico de mulheres, ceifando a vida de todos os homens envolvidos nessa atividade criminosa.




Diana e Hércules vão atrás de Circe em sua ilha grega e lá eles travam uma nova batalha. No final, descobre-se que Hércules também era um dos envolvidos nos atos de vilania, porém foi traído por Circe. Mais batalhas e um pouco mais de uma dezena de vilões que eu não faço a menor idéia quem são.

No final, Diana adquire novamente seus poderes e assume de vez o posto de Mulher Maravilha. Interessante notar que em uma determinada ocasião, ela diz que a Mulher Maravilha é um ideal, então esse rótulo não pertence à ela necessariamente mas sim à quem o usa de forma devida. Circe lança um feitiço em Diana que a deixa vulnerável (humana) ao se “destransformar” em Diana, algo que ela própria, de certa forma, pediu. E assim Diana decide continuar atuando como Diana Prince (sua nova identidade secreta) ao mesmo tempo em que assume novamente o posto de Mulher Maravilha.



E assim se encerra o primeiro arco do terceiro volume da revista. Como se viu, foi uma história simples, descompromissada, com muita ação e participações especiais. Serviu de base para dar um novo status quo à personagem, agora com essa nova identidade secreta.

Pena que, infelizmente, ainda tiveram dois outros escritores na revista até que Gail Simone pudesse ser nomeada a roteirista de longo prazo para a revista. Lembro que na época em que Simone foi nomeada a nova escritora da série, leitores pediram para que a numeração anterior voltasse (assim como ocorreu com o fracassado relançamento da revista do Flash), o que acabou não acontecendo.

Terry Dodson continuou por mais algumas edições e em tempos recentes assinou contrato de exclusividade com a Marvel. Em uma entrevista, ele disse que a Marvel deu parte do seu tempo para ele trabalhar em uma graphic novel autoral, de modo que pudesse desenhar menos histórias do que consegue. Hoje ele revesa os desenhos da revista Uncanny X-Men com Greg Land. Particulamente, gosto muito da arte dele e, ao observarmos seus primeiros trabalhos na Marvel nos anos 90, vemos o que quanto ele evoluiu.

Nessa série da Mulher Maravilha, vê-se cenas realmente muito bem desenhadas, com detalhes nos planos de fundo e precisão nos ângulos dos personagens. Achei os desenhos bem dinâmicos e condicentes com a ação que a história exigia. E merece um grande destaque no visual maravilhoso (perdoem o trocadilho infame) da Circe quando esta adquire os poderes da Mulher Maravilha. Muito bom!

Enfim, o relançamento da série teve um começo que seria bastante promissor mas, infelizmente, foi prejudicado pelos atrasos que custou a saída do seu autor inicial.

Abraço a todos!