quarta-feira, 8 de abril de 2009

X-Men: Complexo de Messias.

X-Men: Complexo de Messias.
(X-Men: Messiah Complex, Uncanny X-Men 492-494, X-Factor 25-27, New X-Men 44-46, X-Men 205-207, dezembro de 2007 a março de 2008)

Roteiro: Ed Brubaker, Peter David, Craig Kyle, Christopher Yost e Mike Carey
Desenhos: Marc Silvestri, Billy Tan, Scott Eaton, Humberto Ramos e Chris Bachalo
Arte-final: vários
Marvel Comics.

Complexo de Messias é uma das mais gratas surpresas que tive com os X-Men nos últimos anos. Confesso que os X-Men é minha equipe de super-heróis preferida (isso pode ser observado no número de postagens sobre eles aqui neste Blog), mas já faz alguns anos que a direção que o grupo vinha tomando não andava me agradando muito.

Na minha opinião, a única exceção era com a revista Astonishing X-Men, que possuía todos os elementos que eu gostava em uma história dos X-Men, mas a revista atrasou muito e, logo depois, mudou de equipe criativa após a conclusão do arco central (que tomou 24 edições e um especial).

Porém, a Marvel decidiu reviver as antigas sagas da franquia mutante e, depois de anos sem produzir algo do gênero, criou uma história que seria contada em todos os títulos principais da franquia (Uncanny X-Men, X-Men, X-Factor e New X-Men), à exceção da revista Wolverine. Sagas que começam e continuam por quase todos os títulos? Mais anos 90, impossível!

Porém, ao contrário do que acontecia na década passada, a história aqui parece ser muito bem elaborada, no ritmo certo. Aliado a isso, cada título parece contar com uma subtrama de significativa importância para o desenvolvimento da história.


Complexo de Messias gira em torno do nascimento do primeiro e único bebê mutante após o Dia M. Os X-Men vão investigar não só o nascimento dessa criança, mas também as consequências geradas por ele: um confronto travado entre os Carrascos (liderados pelo Sr. Sinistro) e os Purificadores (seguidores da doutrina religiosa do Reverendo William Stryker). A partir dali, esses três lados saem à procura do bebê mutante recém-nascido.

Paralelamente a isso, Jamie Madrox (o Homem Múltiplo) e Layla Miller são mandados por Ciclope até a casa de Forge, no Texas. Forge relata que, depois do Dia M, existem agora somente duas linhas alternativas do futuro. Assim, Jamie deverá mandar uma cópia sua para cada um desses futuros e, na segunda operação de transporte, Layla Miller consegue ir junto com ele. Essa segunda alternativa é a que será mostrada em Complexo de Messias. Enquanto isso na Terra, a matriz de Jamie cai em coma.

No desenrolar dessa subtrama, Jamie e Layla são levados a um Campo de Realocação Mutante, onde todos os mutantes daquele futuro são levados. Lá, eles são marcados e se encontram com o jovem Lucas Bishop.

Vê-se também a decadência de Charles Xavier, que não possui mais o comando dos X-Men e é deixado de fora das decisões em torno da procura do bebê. Uma amostra clara disso é a cena mostrada em Uncanny X-Men 492, em que ele apenas observa, de fora, uma reunião tática liderada por Ciclope sobre os passos que os X-Men deverão tomar a seguir. Outro ponto importante ocorre no final da Saga, quando a decisão de mandar ou não o bebê ao futuro não cabe mais a ele, e sim a Ciclope, o atual líder em comando dos X-Men.

Os pirralhos dos Novos X-Men também têm sua participação na trama, ao fugirem da escola (pela milionésima vez) a fim de se vingar dos Purificadores e, por conta disso, caírem em uma enrascada em Washington, no covil principal do grupo religioso. Também em Washington, e a mando de Ciclope, Rictor se infiltra no grupo para descobrir se os Purificadores estão com o bebê e, de quebra, ajuda a salvar os moleques dos Novos X-Men, não sem antes descobrir que os Purificadores estão aliados à Lady Letal e seus Carniceiros.

Enquanto isso, os X-Men, após um confronto com os Acólitos, descobrem que Sinistro e seus Carrascos estão escondidos na Antártida. Ao chegarem lá, eles iniciam um confronto com os vilões (que conta, inclusive, com Gambit, não tão popular quanto antes). Lá, eles descobrem que o bebê está com ninguém menos que Cable!

Cable reaparece no mundo dos vivos e é quem está inicialmente com a criança. No desenvolver da trama é revelado que Bishop também sempre esteve atrás do bebê, mas para outros propósitos. Bishop também está atrás da criança para que o seu futuro não se torne realidade. Finalmente, os roteiristas deram um novo propósito para o personagem que, além de ser apenas mais um combatente vindo do futuro, agora tem um histórico um pouco mais rico (ou menos pobre).

Depois de um confronto dos Carniceiros com Cable, surge também a nova X-Force, uma força-tarefa criada por Ciclope para situações extremas e tendo como missão inicial impedir Cable de escapar com o bebê mutante, mesmo que isso custe a vida de Nathan. Contando com os “farejadores” das equipes principais, quais sejam, Wolverine, Apache, Hepzibah, Lupina, X-23 e Caliban, um deles acaba sendo morto em combate por um dos Carniceiros, ao mesmo tempo em que Lady Letal é derrotada (e supostamente morta) por X-23.

Em forma de pequenos interlúdios, o Predador X também sai à procura do pobre bebezinho. Ele confronta todos os X-Men no capítulo final da Saga, na Ilha Muir, e é derrotado por Wolverine de uma maneira inusitada.

Mística e Gambit também têm seu momento de destaque, já que não só Mística dá cabo de um dos maiores vilões dos X-Men, como também revela o sentido dos diários de Sina. E, como não poderia deixar de ser diferente, Gambit se alia a ela em razão dos sentimentos que nutre por Vampira, a quem Mística procura salvar da infecção do vírus Pressão 88. O melhor dessa pequena trama é a reação de Vampira quando ela desperta. Aliás, a Vampira é sempre bem caracterizada nas mãos de Mike Carey.

Complexo de Messias não enrola o leitor com diálogos desnecessários. Assim, cada edição parece mostrar um conteúdo condizente com o que normalmente caberia em uma história de vinte e poucas páginas e nenhuma delas deixa de lado cada uma das tramas paralelas que se desenvolve ao longo dos seus 13 capítulos.


No que se refere à arte, todos os desenhistas contratados fazem um bom trabalho. O único que destoa de todos os demais é Humberto Ramos, com sua medonha arte estilo mangá. Felizmente, ele foi escalado para desenhar a revista New X-Men, e, o fato dos personagens serem adolescentes, isso ameniza um pouco a frustração de ler as partes em que este artista desenha, já que seu estilo até que combina com crianças e afins. As cores também ajudaram bastante na “aceitação” da arte de Ramos.

Marc Silvestri é o desenhista da edição especial que inicia a Saga e cada vez fica mais evidente que ele é apenas uma sombra do que já foi depois que virou empresário (dono do estúdio Top Cow). Seus personagens não têm expressão, como comprova a cena em que Emma se assusta na cidade em chamas e seu rosto é um completo vazio de expressividade.

Billy Tan desenha as edições de Uncanny X-Men, mantendo a mesma qualidade dos desenhos vistos em Ascensão e Queda do Imperio Shiar. Está muito bem e penso que ele poderia ter permanecido como o responsável pela arte dessa revista depois da Saga, mas seu destino infelizmente foi outro (a revista Novos Vingadores).

Scott Eaton desenha as edições da revista X-Factor e faz um trabalho bom, muito melhor do que o que produziu no passado em títulos como o Pantera Negra. Por curiosidade, o Professor Xavier desenhado por Eaton tem o rosto do ator Patrick Stewart, que o interpretou nos cinemas.

Chris Bachalo é o meu desenhista favorito de todos responsáveis pela Saga. Com uma arte bastante estilizada, ele cuida dos desenhos da revista X-Men e, na minha opinião, adoro observar seus desenhos. Confesso, por outro lado, que às vezes fica difícil descobrir o que determinado quadro significa. Hehehe... A cena em que Cable aparece com o bebê, para mim, é uma das mais bonitas visualmente falando. A Vampira de Bachalo também é sempre caprichada.

Enfim, Complexo de Messias não só foi uma excelente história, em um estilo que deveria ser reproduzido de tempos em tempos (mas não todos os anos) como também rendeu boas idéias para futuras tramas da franquia mutante. Apesar de ter sido a “causadora” do lançamento de novos títulos mensais, a maioria deles está rendendo boas críticas e isso certamente pode ser considerado como um acerto editorial. É o que veremos em breve.

Abraço!

Um comentário:

abner alencar disse...

Nossa,amei essa crítica
tipo tudo o que senti referente a essa trama foi retratado aqui!!! parabéns gostei!!aahh e Complexo de Messias foi sensacional!!!muito bem organizado,amplo,acertivo e objetivo!!