terça-feira, 28 de outubro de 2008

Surpreendentes X-Men 13-18: Destroçados.

“Destroçados”
(Astonishing X-Men 13-18, a partir de abril de 2006)

Roteiro: Joss Whedon
Desenhos: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Marvel Comics.

Destroçados é o arco mais intimista de Surpreendentes X-Men. Volto a dizer que quando os autores usam de personagens fixos para trabalhar, e assim é muito mais fácil contar uma história coesa e desenvolver os personagens de forma adequada. E é exatamente isso que vemos aqui.

Em um aparente retorno e com uma nova formação, o Clube do Inferno está de volta disposto a acabar com os X-Men e com um plano secreto em mente (que será revelado ao final do arco). Composto agora por Sebastian Shaw (o Rei Negro), a x-man Emma Frost, a misteriosa Perfeição, Cassandra Nova e Míssil Adolescente Megassônico (sim, esse nome mesmo, que inclusive é ridicularizado por Kitty Pride numa batalha), o Clube do Inferno consegue concretizar o pior pesadelo de todos os X-Men.

O primeiro deles, e melhor, é com relação ao Ciclope. Emma faz uma regressão com Scott e nos é revelado um segredo que ele guardou desde que adquiriu seus poderes: ele decidiu não ter o controle sobre seus poderes por conta de suas próprias inseguranças. Isso o deixa totalmente indefeso e o leva ao coma.

Já Míssil Adolescente Megassônico faz com que Kitty se desmaterialize até afundar no subterrâneo do planeta. Wolverine se torna uma criança assustada, Fera perde o intelecto de vez e vira um ser irracional, e Colossus confrona Shaw com toda sua fúria e recebe tudo o que despendeu de volta (esse é poder de Shaw) e é nocauteado.

Há um mistério por trás do retorno desse Clube do Inferno que é revelado ao final. Também é amarrado o fato do por que ter sido a própria Emma quem decidiu que Kitty Pride deveria voltar ao grupo, mesmo sabendo que esta o odeia. Aliás, o confronto das duas, em uma cena que se inicia com a quebra de um espelho é espetacular e muito criativo. Dispensável dizer que contém também ótimos diálogos entre as duas.

Enquanto isso, continua os preparativos para o último arco da série sob as mãos de Whedon e Cassaday. A Agente Brand vai até o Zênite, o quartel-general da ESPADA e descobre quem é o X-Man responsável pela dizimação do Grimamundo: Colossus. E ao saber que aquele mundo perdeu contato com a Terra, pressupõe que a guerra poderá ter início a qualquer momento.

Assim, decide agir. Aqui é revelado quem é o agente infiltrado na mansão: Lockheed. Na prisão do Zênite, Perigo contata Ord e propõe a ele um acordo para que ambos derrotem os X-Men. Assim, eles planejam a fuga de Ord e, com sucesso, vão até a Mansão X atrás de Colossus.

Assim que Perfeição se revela como a Rainha Branca, algumas coisas inicialmente inseridas no arco não começam a fazer sentido. Mas só de modo aparente. Assim que Ciclope ressurge atirando em todos os integrantes do Clube do Inferno, descobrimos que nada daquilo era real.

Tudo não passou de um plano de Cassandra Nova que implantou uma espécie de comando na mente de Emma Frost para que, no momento oportuno, esta usasse os X-Men para libertá-la. Há, inclusive, um retcon que se passa momentos antes do arco E de Extinção (como já foi dito, o primeiro de Grant Morrison nos mutantes).

Ver Ciclope, ao final, vestindo o seu traje de New X-Men também é uma bela surpresa. Particularmente, prefiro os colantes coloridos, mas no caso do Ciclope o visual ficou muito bom.

Os outros X-Men voltam ao normal (Wolverine encontra uma cerveja e Fera vê um novelo de lã, parte de um plano de “resgate” elaborado por ele e o Professor X). Enquanto isso, Kitty é telepaticamente manipulada e usa seus poderes para liberar Esponja, a prisão orgânica de Cassandra Nova. Kitty pensava que estava libertando seu suposto filho com Colossus, mas assim que cumpre seu papel, ela volta à realidade.

E assim a questão da traição ou confiança em torno de Emma Frost é colocada em evidência ao final. Sua culpa por ter sido a única sobrevivente do massacre de Genosha é desenvolvida por Scott e assim entendemos todo o seu drama (ao mesmo tempo em que nos deparamos de como é bom personagens ricos em personalidade e distintos entre si). Se ela auxilia na libertação de Cassandra ou se consolida sua condição de X-Man é o grande mote para o desfecho do arco.

Para concluir, assim que Ord e Perigo chegam até os X-Men, a Agente Brand teletransporta todos eles para sua nave e os leva em direção ao Grimamundo. O paradeiro de Cassandra é um mistério que fica em aberto com essa interrupção abrupta.

Pessoalmente, acho a segunda parte a melhor de todas. As questões existenciais de Ciclope finalmente revelam o quão interessante sua personalidade se mostra e o quão incisiva Emma é ao praticamente humilhá-lo quanto às suas escolhas já tomadas. Um espetáculo de caracterização feito por parte de Joss Whedon.

Em agosto de 2007, fiz uma resenha sobre a edição 68 da revista X-Men Extra (Panini) para o Fórum de Quadrinhos MBB, que é justamente a que mostra a segunda (e melhor) parte do arco. Reproduzo o que escrevi a seguir, com algumas adaptações:


[Avaliação] Surpreendentes X-Men #68 (ou XMEx).


Sem sombra de dúvida, Astonishing X-Men é um dos melhores títulos publicados atualmente. Toda a essência do universo dos X-Men consolidada ao longo dos anos e que conquistou uma legião de fãs encontra-se neste título. Magistralmente escrito por Joss Whedon, que atrasa um bocado para entregar os roteiros, é interessante notar que a cada edição lançada o leitor consegue perdoá-lo dada a qualidade do texto, com exceção de uma ou outra voz isolada e sem ressonância.

Depois do segundo arco, "Perigoso”, que foi aquém do primeiro, o título parece voltar a se destacar dada a nova trama que se desenvolve desde a edição passada. O Clube do Inferno, uma das organizações de vilões mais interessantes dos quadrinhos, está de volta e agora é composto por Sebastian Shaw, Cassandra Nova, Míssil Adolescente Megassônico e Emma Frost. A participação desta última foi o grande chamariz para o início da nova “temporada” da revista e nesta edição vemos como foi, em termos, o planejamento da dizimação da população de Genosha, mostrada no arco E de Extinção, há algum tempo atrás.

Após aparecer travestida de Fênix, Emma Frost mostra a Scott (Ciclope) ao longo da edição os entraves psicológicos que ele teve que lidar desde o dia do acidente de avião que culminou na sua orfandade. É interessante notar o paralelo que o Whedon desenvolve ao mostrar as inseguranças do personagem com relação às pessoas à sua volta, ao seu modo amar, com os poderes contidos pelo seu visor de quartzo rubi. À primeira vista, parece pura maldade da ex-Rainha Branca ao ficar brincando com os sentimentos do Ciclope, mas quanto mais a história se desenvolve, vemos que, por mais que tudo indica que uma trama maior está por trás disso tudo, a intenção de Emma não é das piores.

E nisso, devemos parabenizar Whedon pelo espetáculo de caracterização deste casal de personagens. Existem várias passagens dignas de nota em uma história de vinte e duas páginas, e pouquíssimas pessoas conseguem escrever tanta coisa boa em um espaço tão curto.

O ponto alto, na minha opinião, ocorre quando a Emma compara o Ciclope com os outros líderes do universo Marvel. Inicialmente, destaca todas as qualidades dos demais integrantes dos X-Men, mostrando algo de especial em cada um deles, à exceção do pobre Scott e conclui de forma massacrante:


“Você já viu outros lídres, Scott. Eles se destacam. Não têm como evitar. Na única vez em que você precisou defender seu título, o perdeu para Tempestade. Potencialmente, os X-Men são a equipe mais poderosa do planeta... e Xavier lhe entregou o comando. Por pena. Porque acreditava que você seria um fiasco se não tivesse um pouco de motivação.”

Para mim, a melhor passagem, de longe. A lembrança da disputa do título com a Tempestade, ocorrida há um bom tempo atrás, também é um bom alento para quem acompanha os personagens e vê sua história ser respeitada no meio de tanta confusão que se seguiu ao longo dos anos, notadamente nos anos 90. Inclusive, muito boa essa história lembrada, que foi desenhada por Rick Leonardi e escrita por Chris Claremont (claro que tinha que ser dele!). Salvo engano, foi publicada aqui em X-Men 25 da Editora Abril. Quem achar num sebo qualquer, vale muito a pena a leitura! Abaixo, a homenagem do Cassaday.



Não poderia terminar de falar sobre a história sem destacar a hilária cena da Kitty, ao usar seus poderes na hora mais inapropriada possível. Quem não for comprar a revista, dá uma folheada que é muito boa a cena.

Minha única crítica é a falta de desenvolvimento do Colossus. As vozes que o defendem dizem que ele é “quietão” assim mesmo, mas penso que não obstante tenha sido uma boa hora para trazê-lo de volta, o personagem simplesmente voltou e o máximo que faz é dar uns beijinhos na Kitty e soltar uma frase ou outra, de forma lacônica, de vez em quando.

Nos desenhos, John Cassady mantém o alto padrão das edições anteriores e faz belas seqüências. Algumas expressões da face da “Jean” ficaram meio esquisitas, mas a Emma que ele desenha compensa qualquer coisa. Destaque também para o Fera que é sempre muito bem retratado tanto nas falas como nos desenhos.

Pra concluir, termino dizendo que essa história não deixa de ser uma espécie de redenção para aqueles que não viam nenhum significado no modo de ser do Ciclope. Uma coisa é não concordarmos com as atitudes dele, outra é maldizê-lo pelo simples fato de ele não posar de “fodão”. Uma bela distinção de personalidades. E é exatamente essa a beleza das equipes de super-heróis: a heterogeneidade dos seus integrantes.

Abraço a todos!

8 comentários:

Roleplayer Moore disse...

É nesse arco que tem a capa mais extraordi´naria que o Wolverine apareceu??? Hahahahaha

Noturno disse...

Heheheh... Esse mesmo! Se não desse tanto trabalho pra inserir uma imagem ao final do post, eu colocaria ela pra deleite de vocês. hehehe...

Roleplayer Moore disse...

Pô, mas a capa é dazora!!! E é legal também ver o Wolvie se transformando em um "wolviezinho" medonho hahaha, apesar de ser engraçado, dada a situação, um Wolverine "sou o mais cuti-cuti no que faço" é de assustar!

Noturno disse...

Atendendo a pedidos... hehee..

Roleplayer Moore disse...

HEhehehe valeu Noturno!!! Essa capa é a total antítese do Wolverine e a total sintese desse arco, um grande "Ih, fu..." hahahaha

flávio disse...

Minha segunda tentativa de acompanhar essa excelente série se deu nesse arco. Nova fase dos mutantes, "The 198" sendo publicado, resolvi comprar X-Men Extra de novo.

Curti, e muito, a sequência da Kitty, sozinha, toda ferrada e desesperada (num bom sentido) pra pegar a Emma é de arrepiar.

Novamente, não li tudo, o mix fraco me afastou pela segunda vez... Acabei preferindo o X-Mens de Carey e Brubaker, não tão geniais, mas parte de um mix mais coeso...

Consumindo o que interessa! disse...

Também gostei da capa do Wolverine... eh eh eh

Interessante a preocupação do autor em criar uma historia que trate a personalidade do Cyclope que por anos sempre foi colocado de lado por ser o “escoteiro” da equipe. Nada como demonstrar a humanidade da personagem heróica para criar um clímax.

E que fim deu o tema a cura do fator mutante?

flw

André disse...

Por incrível que pareça, esse é meu arco favorito do titulo, curto mais até que o último. A forma como Whedon explora a Emma, nos fazendoc rer na traição para dps mostrar que estávamos errados, é estupenda...