sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Surpreendentes X-Men 01-06: Superdotados.

"Superdotados"
(Astonishing X-Men 01-06, a partir de maio de 2004)

Roteiro: Joss Whedon
Desenhos: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Marvel Comics.

Em maio de 2004, depois de muita especulação sobre quem seria o sucessor de Grant Morrison à frente do título principal dos X-Men (New X-Men, na época), é lançada a primeira edição da revista Astonishing X-Men (no Brasil, Surpreendentes X-Men). Até aquele momento, os X-Men tinham se distanciado um pouco do gênero super-heróis, pois Grant Morrison os via como seres que deviam se preparar e se preocupar na sucessão dos humanos desprovidos do gene mutante. Dessa forma, os uniformes coloridos (colantes) tinham sido abandonados e o couro preto impregnou no visual da maioria dos integrantes da equipe.

Porém, como num ciclo que se renova de tempos em tempos, houve a imposição editorial de se retornar com os colantes e de se iniciar uma nova fase para os X-Men. Grant Morrison voltaria para a DC Comics, sua editora preferida, e um novo nome de peso haveria de o substituir. Foram meses de especulação até ser confirmado que Joss Whedon, criador da popular série Buffy - A Caça Vampiros, escreveria uma nova série dos X-Men. Juntamente com ele, colaboraria na arte John Cassaday, conhecido pelas séries Planetary (Wildstorm) e Capitão América (Marvel).

O evento que marcou o lançamento do título e desta nova fase foi chamado de X-Men Reload. Em nenhum local das revistas esse termo foi usado. Tratava-se, apenas, de uma campanha promocional para causar algum efeito no meio quadrinístico. Assim, enquanto Whedon e Cassaday cuidavam de Astonishing, o veterano Chris Claremont e seu antigo parceiro Alan Davis ficariam a cargo de Uncanny X-Men (o título clássico), e Chuck Austen e Salvador Larroca estariam a frente de X-Men. Ou seja, houve um aumento da quantidade de títulos "oficiais" dos X-Men, o que me causou um certo incômodo na época do anúncio.

Porém, com o passar do tempo, o lançamento de Astonishing X-Men foi se tornando cada vez mais esporádico, dado os outros compromissos de Joss Whedon no cinema. Assim, a revista, não obstante ostentar a maior qualidade em termos de roteiro e arte com relação aos demais, era a que mais sofria com atrasos e longa espera nos leitores pelos próximos capítulos.

A primeira parte de Superdotados mostra o cenário sendo montado por Whedon. É uma típica história de introdução do universo e personagens pelos quais Whedon vai trabalhar pelos próximos 24 números. Engraçado que, terminada a série há pouco tempo (maio de 2008), ao reler essas primeiras edições, vê-se que tudo foi planejado desde o início.

Vamos à história. A Dra. Kavita Rao, do Laboratório Benetech, anuncia a "cura" para o gene mutante. Como amostra, ela revela à imprensa o caso de uma garota que, com o poder de tornar real seus pesadelos, tirou a vida de seus pais e de um policial enquanto estava em transe. Assim, ao ser tratada como doença, a questão mutante desperta o interesse de muitos na busca dessa cura (inclusive do X-Man Fera).

No Instituto Xavier, Kitty Pride volta à equipe e seu retorno é pura nostalgia. Deveras, as lembranças da personagem remetem aos melhores momentos que os X-Men já tiveram, e é evidente de qual fonte Joss Whedon foi beber para criar suas histórias. Os X-Men decidem voltar aos colantes e agir como super-heróis (e não somente como defensores de mutantes iguais a eles).

Se tem uma coisa que pode ser enfatizada na escrita de Joss Whedon são os diálogos ácidos e precisos que ele imprime à cada personagem. A Emma Frost dele é um show de sarcasmo e ironia. Merecem destaque também o Fera, a já citada Kitty e Wolverine (este lembra um pouco a truculência de outrora). Há um mistério deixado pelo autor no sentido de Emma estar ou não manipulando Scott. A capa da segunda edição denota bem isso.

O arco também traz o retorno do personagem Colossus, muito querido pelos fãs. Morto gratuitamente na história que traz a cura do vírus legado há alguns anos atrás, o personagem ficou sem perspectiva de retorno devido à uma questão editorial de Joe Quesada que proibira ressurreições em sua gestão (questão hoje superada).

Tiranto o fato de que as ressurreições são bastante recorrentes no Universo Marvel, de modo a tornar as mortes cada vez menos impactantes ("Ele voltará em breve" - é a sensação que fica), o retorno do Colossus foi muito bem retratado graças à excepcional arte de John Cassaday. Claro, seguindo o roteiro dado por Whedon (que dava falsas pistas sobre quem voltaria). Foi uma combinação perfeita, uma ressurreição digna de nota.

Também neste arco nos é apresentado o primeiro antagonista da série, Ord. Ele é um alienígena que veio à Terra declarar guerra ao mundo pelo fato de que, de acordo com as "sombras do tempo", uma versão parecida com visões do futuro, prenunciam o fim daquele mundo (Grimamundo) por um mutante. É por esta razão que ele está por traz das pesquisas de "cura" dos mutantes, para que o fim de seu mundo não se concretize.

Aqui também é introduzida a Agente Brand da ESPADA, uma subdivisão da SHIELD, órgão ligado a questões alienígenas. Foi ela a responsável por fazer um acordo diplomático com Ord a fim de que este não iniciasse desde já a guerra ao planeta Terra. Ela será muito importante no desenvolver dos próximos arcos. Também entra em cena a adolescente Hisako (a Armadura), aluna do Instituto Xavier, que também terá alguma participação nos próximos arcos.

Ao final, com grande parte das pesquisas destruídas por Wolverine e Ord sendo capturado, os X-Men voltam ao Instituto, agora com Colossus. Emma dá novos sinais de que tem segundas intenção para com o grupo (mas seu amor por Ciclope é mostrado de forma evidente). Aliás, o clima de tensão entre Emma e Kitty é um dos grandes momentos de Superdotados (e de toda a série).

A arte de John Cassaday casou perfeitamente com o roteiro de Joss Whedon. Utilizando-se muitas vezes da "tela widescreen", a impressão que fica é que você está assistindo a um filme. Uma crítica recorrente que se faz a ele é a falta de cenários, o que, na minha opinião, não é um problema tão sério. As expressões faciais são ótimas e mostram bem o que os personagens estão sentindo nos momentos específicos. Os uniformes criados por ele também ficaram excelentes.

Apesar de ter sofrido com os atrasos, Astonishing X-Men foi se mostrando um clássico em pleno andamento, conforme iremos mostrar com as revisões dos próximos arcos no momento oportuno.

Abraço a todos!

12 comentários:

Pip disse...

Muito bom o review, Noturno. Eu tb fiz um (nao tao bom quanto o seu), se vc quiser dar uma olhada o link é
http://www.miolos.com.br/index.php/pages/sessao/3/2/list/1288

Noturno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Noturno disse...

Caraca, que honra sua presença aqui Pip! Obrigado amiche. Vou olhar seu review. Abração!!

Átila, o Huno disse...

Excelente review!! Surpreendentes X-Men é uma série excelente, anos-luz à frente da passagem do Morrison pelos X-Men e nos mostrou que boas histórias podem ser contadas de maneira simples e despretensiosa!! Parabéns!!

TCC/Lennon disse...

Ótima crítica, noturno...

Whedon realmente mostrou a q veio logo no primeiro arco... a reintrodução dos personagen0, dos colantes , das aventuras de verdade no lugar dos x-men pseudo -realistas e intelectuolóides do morrison... e principalmente o status de protagonista q ele traz a kitty pride ( como fica evidente no resto de sua passagem )...

começava aqui a melhor fase dos x-men em muuuuitoo tempo...

White Ronin disse...

"Surpreendente"! Assim pode-se definir todo o "run" de Whedon em AXM! E elogiar a arte de Cassaday é afirmar o "óbvio ululante"!

Com "Superdotados" Whedon literalmente "revisa" as personagens com as quais irá trabalhar com um roteiro simples, ou melhor, com um "arroz com feijão" muuuuito do bem feito, right now!

Aliás faço um adendo,pois pra quem usa tal expressão com conotação jocosa equivoca-se pois é sabido que esta combinação É A QUE VAAALE PRA SAÚDE ALIMENTAR!

Voltando ao assunto, a caracterização das personagens é outro show a parte! O escritor resgata tudo o que funciona e que faz o sucesso!

Existem dois momentos que me vêm a cabeça quando analiso "Superdotados":

1° O diálodo de Kitty e Emma no momento da apresentação do corpo docente!

2° A ressureição de Colossus, quadro a quadro!

Enfim, "Superdotados" já nasceu clássico e me fez "chupar gostoso" uma vez que por não ser fã de "Buffy" torci o nariz pro Whedon! Morrison fez com que eu me apaixonasse por Emma Frost! Whedon me fez amá-la!

Take care,

Zatanno Frost

P.S- Parebéns pelo "reniew", uops, review, amiche! Vc escreve bem "práca"!"PRÁCARAMBA", FII! :)

Roleplayer Moore disse...

AStonishing é realmente o melhor material mutante em anos... PAra quem não é um fã tão constante dos X-Men, com certeza é o material mais interessante que surgiu nos últimos anos...

Essa primeira saga é relamente interessante o lance da Cura, que foi devidamente abordada (E mal), no terceiro filme, além de trazer o colossus de volta...

Sem falar nos desenhos do Cassaday, que pós-Planetary só melhorou!!!

Noturno disse...

Amiches, obrigado pela visita. Fico contente com a presença de vocês.

Zatanno, comparar boa qualidade com arroz com feijão porque "é o que vale para a saúde alimentar", hehehe, ficou legal mas sempre tem um filé que se destaca mais no paladar. :-P

E Roleplayer Moore, você tem razão. A questão da cura poderia ter sido melhor abordada no filme!

Abraço a todos!

Roleplayer Moore disse...

O problema da cura no terceiro filme é que ele foi usado mais como "arma" do que como "cura"... Fora que ainda tinha o levante do Magneto e o ataque da Fênix...

Enfim...

O legla é que nesse arco o fator "busca da cura" realmente adiantou para um outro fim, além do óbvio de "curar mutantes"...

flávio disse...

Lembro-me pouco dessas histórias... Li quando foi publicado em X-Men Extra, e, salvo engano, só até a segunda ou terceira parte. Esse "revival" da franquia pouco me empolgava, e o mix da revista era dos mais fracos.

Adorei a arte do Cassaday, e estou aqui tentando me lembrar o que diabos passou pela minha cabeça pra não ter acompanhado isso... Talvez o fato da primeira edição ser recheada de flashbacks e citações à edições antigas - bem oposto às mudanças radicias e sensação de "tudo vai ser diferente" da primeira edição do Morrison - mas creio que gastar 7 reais pra ler uma única história, na época, me parecia absurdo. Ainda parece, he-he...

Consumindo o que interessa! disse...

Já informo que não sou nenhum conhecedor da matéria X-men, no entanto gosto de dar opinião sobre o tema macro.

Uma questão que eu nunca gostei dessa nova historia dos X-men é a hipótese de “cura” do fator mutante. Não sei a intenção original dos roteiristas, mas eu pessoalmente acho muito incoerente esse argumento. Os X-men sempre lutaram pela causa mutante de forma a lembrar muito as revoluções civis dos EUA durante a década de 60/70, como a luta do povo negro para alcançar os seus direitos a cidadania e hoje a luta de direitos iguais aos homossexuais. De repente a condição que tornam os mutantes como algo peculiar se confirma como uma doença?

Por mais que seja valida a intenção de renova a franquia, acho muito incoerente, do nada, descobrirem que um dos maiores argumentos dos opositores aos mutantes – que a mutação é uma doença – era verdade.

Vamos ver o desenrolar desse argumento nos próximos capítulos...

Rafael Deirane disse...

Ótimo review, Noturno. Apesar de gostar do run do Morrison, devo admitir que o Wheldon levou a revista dos mutantes a um nível de excelência que há muito tempo não se via.