quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Hulk Contra o Mundo (01-05).

Hulk Contra o Mundo
(World War Hulk 01-05, de agosto de 2007 a janeiro de 2008)

Roteiro: Greg Pak
Desenhos: John Romita Jr.
Arte-final: Klaus Janson
Marvel Comics.

Logo após o sucesso editorial obtido com o evento Guerra Civil, não demorou muito para que a Marvel pensasse no que faria no ano seguinte. E a resposta veio na forma de Hulk Contra o Mundo. Na verdade, o Hulk deveria ter obtido mais destaque na editora a partir do evento Planeta Hulk, que o levou ao mundo chamado Sakaar e lá ele viveu aventuras como gladiador, rebelde e, ao final, soberano daquele planeta.

Ocorre que veio a Guerra Civil e Planeta Hulk ficou um pouco ofuscado. Com uma receptividade dos leitores bastante dividida com relação a Planeta Hulk, a grande expectativa era sobre o retorno de Hulk ao planeta Terra e seu acerto de contas com os heróis que o mandaram para Sakaar, quais sejam: Homem de Ferro, Dr. Estranho, Raio Negro e Sr. Fantástico (Reed Richards).



Aproveitando então o ensejo, essa segunda “fase” da vida de Hulk nas mãos de Greg Pak serviu de mote para o próximo evento (crossover) da Marvel. Mas a dimensão dessa saga seria um pouco menor do que em Guerra Civil, como disse o editor-chefe da Marvel na época, Joe Quesada. Assim, o núcleo básico da saga se daria somente na minissérie principal (World War Hulk) e nos títulos Hulk e World War Hulk: Frontline.

Outras revistas da Marvel como, por exemplo, Homem de Ferro, Motoqueiro Fantasma e Vingadores: A Iniciativa também trariam fatos relacionados com o evento, mas não seriam necessários para o entendimento da trama. Aliás, a história contada na revista do Homem de Ferro, por exemplo, seria a mesma contada na minissérie principal, porém sob o ponto de vista de Tony Stark (ficou bem interessante e recomendável para quem se dispuser a ler a saga com mais profundidade).



Também foi lançada uma minissérie chamada World War Hulk: X-Men, com muita ação mas sem sentido algum. Como falarei dela em uma oportunidade futura, deixo apenas registrado aqui a sua total inutilidade e pura pretensão de lucrar um pouco mais com o evento, relacionando-o, de forma muito forçada, com o universo dos X-Men.

A premissa da trama trata do exílio forçado que o Hulk teve que se submeter ao ser mandado ao espaço pelo Homem de Ferro, Dr. Estranho, Raio Negro e Sr. Fantástico (Reed Richards). Os outros integrantes da sociedade secreta chamada Iluminatti, Charles Xavier e Namor, não tiveram envolvimento com a operação, uma vez que o primeiro estava desaparecido e o segundo se negou a aderir e ainda profetizou a volta de Hulk.

A profecia se concretiza quando o Hulk volta à Terra furioso com a destruição da capital de seu planeta, que matou mais de um milhão de pessoas, bem como sua mulher Caiera e o filho que ela carregava no ventre.

Assim, ele decide se vingar dos quatro heróis por tê-lo mandado ao espaço e pela bomba inserida na nave que causou toda essa tragédia (os autores da instalação da bomba são revelados somente ao final da última edição da minissérie).



A minissérie então passa suas cinco edições tratando basicamente das batalhas do Hulk e do seu Pacto de Guerra (um grupo diversificado de guerreiros com quem ele se aliou quando era um gladiador em Sakaar) com os heróis Marvel. Ele manda a cidade ser evacuada em 24 horas e pretende destruí-la totalmente como forma de todos se lembrar dos verdadeiros responsáveis pela sua tragédia pessoal.

Alguns cidadãos acabam, no entanto, apoiando o Hulk e ficam na cidade (o que rende bons momentos de descontração quando Greg Pak insere alguns diálogos entre eles).



Com a Lei de Registro de Super-humanos vigente, o escritor encontrou a forma da anistia aos heróis que se dispusessem a ajudar na defesa contra o Hulk. Assim, heróis clandestinos como Luke Cage e Homem-Aranha marcam presença na saga.

Aliás, o Homem-Aranha está bastante mal caracterizado, pois nessa época sua Tia May se encontrava à beira da morte, e ele não demonstrava nenhuma irreverência, dado o estado emocional que o acometia. Em Hulk Contra o Mundo ele é mostrado como o herói engraçado e divertido que todos estamos acostumados, o que destoa de maneira diametralmente oposta com o que ocorre em sua revista própria (algo semelhante aconteceu em Novos Vingadores).

O roteiro traz ainda outras inconsistências como o fato de Raio Negro ter sido derrotado em uma cena não mostrada na revista (talvez em razão da dificuldade do escritor em encontrar uma forma de elaborar um confronto sem parecer no mínimo forçado em favor do Hulk).



Após enfrentar o Homem de Ferro, o Quarteto Fantástico, o Dr. Estranho (com o auxílio dos Novos Vingadores), o Hulk arma uma Grande Arena no Madison Square Garden e põe todos os seus prisioneiros para lutar entre si.

Um personagem que até então estava bastante distante do universo do Hulk, Rick Jones, tem uma participação importante no desenrolar da trama. Outros destaques ficam por conta da Mulher-Hulk, General Ross e do Sentinela. Por falar nesse último, o herói agorafóbico e esquizofrênico acaba sendo a “salvação” de todos, quando Tony Stark o liberta de seus medos interiores e o manda agir como um Deus.



Nisso, dá-se uma batalha que percorre boa parte da cidade de Nova York entre o Hulk e o “Defensor Dourado da Decência”. Uma batalha de grandes proporções que merece elogios pelo fato de John Romita Jr. poder desenhar grandes quadros apenas com cenas de ação e poucos diálogos nos momentos certos.

Por falar em desenhos, John Romita Jr. e seu quase fiel parceiro Klaus Janson cumprem bem o seu papel, tanto no que pertine à qualidade dos desenhos quanto no cumprimento do prazos. Como é um desenhista rápido, cada edição da revista acaba tendo mais páginas do que uma revista regular. Assim, o escritor Greg Pak pôde usar essa agilidade do desenhista em seu favor para desenvolver melhor sua história.



Mas alguns quadros ou personagens parecem não combinar muito com o estilo do desenhista, como o Homem de Ferro e sua imensa armadura na primeira edição (carinhosamente apelidada de “Geladeira de Ferro”) ou alguns desenhos envolvendo o Coisa e o Homem-Aranha com o uniforme negro. Mas nada que atrapalhe muito o resultado final que ficou bastante satisfatório.

Ao final, as conseqüências de Hulk Contra o Mundo poderão ser observadas na contenção do golias esmeralda e em três lançamentos da editora: a transformação do título Incrível Hulk para Incrível Hércules e os novos títulos Hulk e Sakaar: Filho do Hulk.

Enfim, Hulk Contra o Mundo é um evento no melhor estilo Marvel onde os grandes heróis da editora (e outros nem tanto) lutam para conter o Hulk na sua empreitada de vingança contra os quatro heróis Iluminatti. Um evento que prima pela ação e não perde muito tempo com diálogos pretensiosos e desnecessários.

Abraço a todos!

BAMF!

6 comentários:

MAGUS disse...

Eu gostei do primeiro número, achei os intermediários mornos, mas adorei o final, com o Hulk mostrando que NUNCA será o monstro que todos pensam que ele é. Sensacional.

flávio disse...

Na verdade, Noturno, WWH não foi pensado como o "próximo evento após Civil War".

Lendo uma Wizard recente (é, pois é, pois é...) vi que WWH estava sendo planejada com bastante antecedência, mas, na reunião de planejamento para 2007, viu-se que o evento talvez não atraísse a atenção necessária para a editora. Era preciso algo que envolvesse todos os heróis. As idéias começaram a ser jogadas de um lado para o outro até que alguém falou "CIVIL WAR".

Atrasou-se WWH e pensou em como contar o próximo grande evento. Deu no que deu, para o bem ou para o mal.

Noturno disse...

Hm.. entendi o que você quis dizer mas tenho apenas uma ponderação a fazer. O termo "próximo evento após Civil War" não foi bem no sentido de ter sido criado/planejado logo após essa fase, mas sim de que, no ano seguinte, utilizasse essa história como o "mega evento" da Marvel.

Legal esses outros detalhes dos bastidores!

Abraço amiche!!!

I. Monique disse...

Tô sentindo falta da sua reflexão crítica após a resenha de cada história...

Acho que vou ter que escrever logo o tema que me pediu pra vc se inspirar mais no meu estilinho melancólico...rsrsrs

beijos

White Ronin disse...

Nunca fui fã do Hulk - sou "mutuna talibã" - , mas as melhores encarnações da personagem foram o inteligente líder do Panteão e o "definitivo" Hulk em Ultimates, na minha modesta opinião de "não-gama entendido"!

Maaaas, achei essa saga um LIXO! Tanto "oba-oba" pro Hulk se "perfazer"???? Não gostei dessa postura "Chuchú da Ciméria" que varre o chão com qualquer herói/vilão Marvel!

Resumindo, estórinha pífia e parcial feita para "ciriricar" o Hulk! Seria muito mais inteligente se um Bruce Banner racional voltasse pra Terra e se utliza-se de meios legais pra quebrar os Illuminatti!

Take care,

Zatanno Frost

Cultura Inútil disse...

Cara, sinceramente... Planeta Hulk foi bacana (apesar de não ter nada de tããão genial assim), mas WWW Hulk foi bem fraquinha. Patética mesmo. Serviu pros fãs do verdão babarem vendo o Hulk detonando uma penca de Heróis com a ajuda de MUITO roteirismo. Criaram situações bem patéticas pro Hulk vencer algumas lutas. Contra o Raio Negro, ele pulou em cima do cara, e a cena (convenientemente) cortou, já tendo aparecido o Hulk como vencedor depois. E, tipo, um único grito do Raio Negro dilacera o Hulk. Mas o roteirista fez o Raio Negro ficar mudo. Literalmente. Contra a Pó, dos X-men, o Hulk enfiou a mão no chão e "achou" um cano de água pra usar contra a menina. Tipo... o Hulk "adivinhou" que ali embaixo, naquele local exato, havia um cano de água. Mas o pior foi ver o Hulk saindo do chão depois da Kitty Pride FUNDIR ele ao solo. Tipo... ela FUNDIU o Hulk com o chão. Ele deveria ter perdido braços e pernas ali, pois as suas células, seu corpo físico foi fundido ao chão. E ele saiu do chão e voltou a dar porrada em TODOS os X-men juntos, que foram emburrecidos ao extremo e lutaram como uma equipe amadora. O Sentry não usou sua supervelocidade. Tipo... o Hulk deveria nem ao menor ser capaz de tocar em um cara desses, que se move a velocidades próximas à da luz. Mas o Sentry apenas trocou socos, e ficava parado esperando o Hulk bater nele. Além de inúmeras outras situações de roteirismo e emburrecimento de outros personagens pra fazer o Hulk sobressair sobre todos. E, no final, apessar de toda aquela destruição em massa, com uma invasão de exércitos alienígenas em larga escala, o Hulk destruindo metade da cidade pra fazer aquele circo todo, apesar de tudo isso, no final o roteirista ainda enfatiza na história que NINGUÉM, nenhum cidadão, morreu. O hulk destrói cidades, mas consegue fazer tudo friamente calculado, derrubando prédios sem matar ninguém. Ah, tenha dó... E o pior é que os fãs nerds não percebem essas coisas. Incrível. Não sei se as pessoas ficaram mais burras, ou se eu que sou inteligente além do mínimo. Porra, pera lá...